"Se queres prever o futuro, estuda o passado." (Confúcio)
Bacellar, INSTRUÇÃO!!!
Se você quer continuar a ser militar, é fácil. É só considerar algumas características de nossa estruturação. Os regulamentos resumem no seguinte:
O segunda-classe fica mais ou menos quatro anos.
O primeira-classe fica no máximo 6 anos.
O cabo estabilizava, e dizem que não adquire mais estabilidade.
O resto é estabilizável.
Quando fui S2, tudo o que tive de fazer foi passar o mais rápido possível para o nível seguinte. Fugi da baixa. Tive de desenvolver a disciplina de estudar duas horas por dia ou mais para cada concurso. Você estuda melhor se estudar em casa.
A maior parte de meus colegas saía para o frevo. “Pra ‘Night’”, como dizíamos. Eu não podia: minha namorada tinha acabado de engravidar. Quando soube, fiquei mais concentrado em manter os poucos recursos que são essenciais: hospital, remuneração, dentista... o que a caserna tinha a oferecer naquela época.
Enquanto estudava, imaginava o que seria trabalhar em outros lugares da... empresa! Vamos chamar a nossa Força de empresa.
A empresa só não oferecia clube pra gente, o resto era relativamente acessível.
Pra ficar na empresa meu pai costumava pagar os cursinhos preparatórios, principalmente de português e matemática. Isso ajudou bastante. Sou consciente da sorte de ter sido patrocinado pelo meu pai. Ele pagava sem reclamar.
Daí, com a namorada grávida, estudei e me tornei primeira-classe. No primeiro concurso aberto pela Aeronáutica para Soldado Especializado. Fui o primeiro soldado especializado em Comunicações de Brasília.
Só que como soldado não conseguiria a estabilidade. Abriram vagas para cabo, inclusive Comunicações. Só tinha eu de concorrente (somente soldados especializados podiam fazer para cabo, a partir desse concurso). A vaga era para o Ministério da Aeronáutica. Estação ZWT-26 (TRABALHO PRA CARA...*). Imaginei o ambiente: um monte de pica-grossa mau-humorado, tapinhas nas costas e muito cafezinho.
Deixei a vaga pra lá.
Fiz o outro. Mas aí já eram dois concorrentes. Eu trabalhando no Cindacta e o outro na Base Aérea. A gente se encontrou antes das provas e o cara dava a entender que estava realmente interessado na vaga. Me disseram que ele estava cursando na época o preparatório Santos Dumont – em Taguatinga.
Acho que ninguém tinha dito a ele que eu já tinha feito esse curso. Duas vezes.
Decidi estudar em casa. Enquanto o oponente gastava tempo e dinheiro se deslocando ao cursinho, eu aproveitava o tempo em casa. Sabendo que muito o que é ensinado no cursinho eu já sabia, passei a me concentrar nas matérias que precisava aprender.
Foi o suficiente. Em matemática, nossas notas foram relativamente próximas. Mas em Português e Conhecimentos Específicos da Especialidade ele deve ter se enrolado. Passei para a única vaga. Na própria Unidade que servia.
O bizu é esse: suplante seu concorrente estudando mais ao longo do tempo que ele. Tenho certeza de que a rotina de meu oponente, à época, era muito mais estafante.
Para sargento a estratégia não foi diferente, a não ser ter que estudar uns 6 meses a mais do que precisei para cabo. Mas foi um repeteco.
Às vezes me vem à memória porque decidi permanecer na Fab, e não partir para algum concurso que me desse mais vantagem financeira.
Conhecimento.
Mas é um poder diferente do que os civis entendem. Não tem a ver com dinheiro, não tem a ver com status. Tem a ver com saber o que fazer quando os outros estiverem realmente enrolados.
Militar tem o poder de desenvolver tudo o que está à sua volta, quando quer. Onde tem um destacamento da Amazônia muitas vezes tem uma cidade inteira se desenvolvendo.
Observe o lugar à sua volta. Criaram uma cidade inteira onde só havia alguns militares trabalhando.
A dica nº1 é essa: crie tempo para estudar. Produza com eficiência suficiente para poder cumprir a missão dependendo o mínimo dos outros. Tenha suas próprias ferramentas automotivas, escolares e use todo seu conhecimento para fazê-lo.
A dica nº2 é posicionamento. Antes de iniciar qualquer atividade, você precisa saber exatamente como está. Precisa saber se seu conhecimento de matemática ou português são capazes de suplantar ou fazer face qualquer concorrente.
A dica nº3 é montar um bom grupo. Procure colegas que não queiram ou não possam fazer cursinho.
A dica nº5 é manter a motivação. Você precisa manter seu cérebro com a convicção de lembrar assuntos de prova. O que te motiva a estudar normalmente é o que motiva todas as pessoas. Vontade de ter alguma autonomia.
Autonomia é abrangente: inclui algum dinheiro para levar a namorada para um lanche, pagar um ou outro motel ou abastecer o carro e pescar. Tanto faz. A maior parte das coisas podem ser resumidas em uma só:
Ter recursos para fazer o que se queira.
Quando eu era soldado morava na SQS 214. Era um saco: só tinha filho de milico. Eu era um deles. A maior parte de meus colegas de rua tinha como objetivo ter seu próprio canto. Pra comer gente, é claro. No nosso ponto de vista era desconfortável marcar uns amassos com a namorada para os dias em que a sogra fazia compras. Com a inflação comendo solta, nossos pais só faziam compras no dia 5 de cada mês. Tinham de enfiar a comida para um mês inteiro no fusca (e imagine que naquele tempo era difícil ter um bom fusca).
Isso significava uma gala por mês, camarada. Com sorte duas.
Então a maior parte dos colegas acabava por considerar que precisavam sair um pouco do centro da cidade. Ouviam histórias de colegas que pescavam, caçavam ou simplesmente andavam pelas estradas molhando a cabeça nos córregos do Goiás. Pra quem vive em apartamento, isso é uma liberdade imensa.
A solução passou a ser trabalhar para comprar um carro. Com um carro não tinha papo de motel. Era “banquéu-traseiréu-do-carréu” e ponto final.
Como dizia texto acima, filho de milico era uma desgraça. De “sub”, então – fudeu! Éramos umas pestes que sabíamos que nossos pais davam falta da chave do carro e davam esporro, mas pegávamos o carro assim mesmo. Era como se fazer merda fosse nossa única alternativa. Na década de 80 um carro custava tanto quanto hoje. A diferença é que não tinha essa conversa fácil de financiamento. A maior parte dos carros era paga “no coco”. No máximo em cheques.
O estacionamento da superquadra, projetada por Niemeyer, comportava um carro por família. Não era toda família que tinha um carro, e muitas vezes sobrava vagas. Reflexo da década de 70, na qual pouca gente podia adquirir um bom veículo, gente da minha geração tem verdadeira paixão por veículos. Principalmente motocicletas – que eram raras naquele tempo. Um tempo no qual não se exigiam capacetes, e as quedas faziam famílias inteiras condenarem as motos, não a falta de um equipamento tão básico.
Só para “massificar”: era difícil ter casa, carro e moto.
Casa para ter para onde levar a gatinha, carro para não pegar chuva e moto para conhecer os riachos e lugares de sua região. E só. Um milico se dava por feliz em atingir esses objetivos.
Se você quer uma boa motivação para estudar com mais afinco, pense no que quer ter. Imagine-se morando em um local que você conheça e goste, com uma “mina” bacana do lado (ou ao lado, tanto faz). Pense em que carro quer ter, que moto quer ter e quanto irá custar atingir esse objetivo. E procure pensar nos detalhes do que quer: hoje em dia têm coisas que antigamente não tinham e ajudam sobremaneira lidar com a rotina diária – TV a cabo, Playstation, equipamentos de som de ponta. Pense no custo do sonho completo não como um fator que leve a pensar que seja caro, mas algo que você consegue medir.
Na maior parte das vezes você vai perceber que não é tão caro assim. E que vale a pena.
Se o custo de um salário de R$ 5.000,00 for saber português, matemática e direito constitucional, está barato.
Resumo: estabeleça seu objetivo, calcule o esforço para atingi-lo e estabeleça sua própria rotina de estudo. O mais importante: mantenha em mente sempre seus objetivos.
Se o pessoal do frevo zoar, não deixe pensarem que você está dando exemplo.
Explique para eles porque você está estudando. Alguns certamente se unirão a você.
terça-feira, 26 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Trecho de "Lições da Caserna" - Jorge Motta
"Quem se situa nunca se perde. Nem se surpreende”
Aprendi que “antes de tudo é preciso situar-se”. Nunca vi essa máxima escrita, nem ensinada, apenas falada, mas sempre ouvi dizer que é a mais preciosa das sabedorias da vida carioca. Onde estamos, quem manda, qual é a regra do jogo, como se entra, como se sai. Estou convencido de que não há sabedoria mais objetiva do que se orientar na ida do que permanentemente indagar – Quem? Como? Onde? Por quê? – como ensinou o grego Aristóteles.
No meio do surpreendente alvoroço e da tremenda surpresa da nomeação de Elmo Farias Serejo para governador de Brasília, e da minha convocação para ser seu homem de confiança na administração do Distrito Federal, jamais deixei de me situar. A realidade brasileira naquele instante – em março de 1974 – exigia atenção especial. Estávamos no auge do regime militar, saindo do governo Médici. A descontração ou “distensão”, expressão preferida pelo cientista político americano Samuel Huntington, só aconteceria a partir de 1977, em meados do governo Geisel. Mesmo assim, condicionada. A abertura deveria ser “lenta, gradual e segura”, ditou o próprio presidente que podia ditar, como demonstraria para a História, decretando o fim do AI-5 e do próprio regime militar. Ou seja, usando os próprios poderes absolutistas que o AI-5 lhe outorgava, Geisel decretou o fim desses poderes.
Um gesto que o consagrou e ao período da vida brasileira que tive a honra de participar, modestamente, num cargo de segundo escalão.
Mas em março de 1974, não dava para esquecer a dureza política do momento. Muito menos adiantava fantasiar. Seria iludir-se. Os militares haviam tomado o poder, estavam gostando, não pareciam disposto a abandoná-lo e, principalmente, por mais que se cercassem de tecnocratas e especialistas, não conseguiam perder suas características profissionais de disciplina, hierarquia, planejamento rígido. Aliás, com exceção do general Golbery e de poucos oficiais entre os muitos que assumiram responsabilidades civis, e que eram políticos extraordinários (muitos deles tinham mais sensibilidade política que os próprios políticos civis profissionais), a regra era os militares se desnaturarem ao afastar-se da caserna para assumir funções no serviço público. Renegavam justamente sua cultura profissional. É um paradoxo, mas eu compreendo, por ter enfrentado na prática o mesmo desafio: o exercício do poder civil não é fácil, nem para os civis.
Ou seja: quando negaram sua cultura militar para se comportar como políticos e civis, abandonaram instrumentos de organização com os quais já estavam familiarizados e perderam boas chances de promover mudanças e moralizações que pretendiam realizar no Estado brasileiro.
Entre os chamados instrumentos administrativos empregados no Exército brasileiro, no dia-a-dia dos quartéis – e que aprendi a utilizar no meu serviço militar, o Quadro de Trabalho Semanal (QTS), pode ser o mais singelo, mas é certamente de uma eficácia extraordinária, além da facilidade de ser por todos entendido. Levei-o do quartel para a vida civil e apliquei-o com êxito na primeira oportunidade que tive de assumir responsabilidades executivas na empresa privada. Considero-o a melhor aprendizagem do meu serviço militar obrigatório.
Tornar-se soldado não era uma escolha, mas um obstáculo que precisava transpor. Também não me revoltei, não me lastimei; pelo contrario, mergulhei de cabeça para tirar da minha passagem pela vida militar tudo o que poderia aprender.
Fui soldado e cabo do Exército na Vila Militar, em Deodoro, Rio de Janeiro. Servi no Segundo Regimento de Infantaria (2º RI), o glorioso Dois de Ouro, seu festejado cognome.
Fiz o curso de sargento justamente quando o primeiro batalhão do 2º RI (um regimento de infantaria era formado por três batalhões) estava sendo preparado para ser enviado à África do Norte e participar da Missão de Paz da ONU no Egito. O Batalhão Suez – como era chamada a tropa brasileira – era constituído 100% por voluntários, mas a seleção incentivava os melhores recrutas. Fui chamado e estimulado, ganhava-se em dólar e todo mundo fazia um pé-de-meia, mas descartei a oferta. Eu estava na tropa para cumprir o dever de cidadania, tinha pressa em iniciar minha vida civil plena e precisava do Certificado de Reservista, documento essencial para cair no mercado de trabalho. Poderia ter cursado o CPOR, Centro Preparatório de Oficiais da Reserva – aberto para quem possuía diploma de curso médio – e sairia aspirante, com chances de estagiar na tropa como oficial por até dois anos, ou mais, como aconteceu com alguns amigos. Mas eu não estava procurando um passatempo, eu queria dar adeus à adolescência, à disponibilidade de solteiro, começar a viver de verdade minha vida adulta, casar. Ora, o CPOR durava dois anos, enquanto como soldado na tropa, seriam apenas 12 meses.
A vida na caserna, sem dúvida, é dura – como demonstrou o poeta Alfred de Vigny, em Servidão e Grandeza Militares, no século XIX – mas o tempo passa mais rápido quando o soldado a enfrenta com seriedade, principalmente consciente de que é um período finito. Não queria me profissionalizar, a caserna não era a minha vocação. Mas cumpri meu serviço militar com dedicação. Fiz os cursos regimentais, fui promovido a cabo e minha boa classificação no curso de sargento premiou-me: meu nome foi incluído na primeira lista de desligamentos da tropa. Como eu desejava.
Sempre recordo os critérios para liberar os recrutas, especialmente os desesperados, como eu, que não viam a hora de retornar à vida civil. Ou, mais precisamente, iniciá-la, pois estávamos todos com 19 anos, começando a maioridade. Os primeiros reservistas a serem liberados – dispensados na “primeira baixa” – são os melhores. Quem for “zerado” – isto é, não tiver punição nas suas “alterações”, tem prioridade no desligamento da tropa. Experimentei a vantagem de haver cumprido a minha parte e pude desfrutar o prêmio.
Aliás, como eram transparentes e estáveis as regras do quartel! Tudo era previsível, e até as punições levavam em consideração atenuantes e agravantes que todos conheciam. Por isso, nunca entendi por que o regime militar de 1964 não aplicou esse princípio sábio – as regras do jogo são sempre cumpridas, jamais alteradas por circunstâncias e interesses pessoais – quando assumiu responsabilidades do governo civil.
Quase todos os militares no poder preferiram desprezar suas ferramentas profissionais, como esse singelo QTS, que aprendi com eles. Ouso dizer que até na repressão política fazia falta a boa doutrina da caserna, que não confunde disciplina com violência, rudeza com grosseria, firmeza com insolência. Pelo menos foi o que me ensinaram e vi ser praticado como regra no 2º RI, na Vila Militar. Naturalmente, com as exceções que o confirmavam.
Tive a impressão, naqueles dias de submissão do poder civil, que os militares vivem uma duplicidade perigosa na relação com o civis. Ou endurecem, tentando submeter irracionalmente a sociedade aos padrões espartanos da sua disciplina profissional e aí gera um clima de guerra, incompatível com a vida em tempo de paz. Ou se perdem, negando sua própria cultura. O mundo civil trata os militares com uma arrogância histórica, principalmente quando pressente formas de submetê-los, como fizeram com o romano Caio Júlio César. Mais ou menos o que os chamados tecnocratas fizeram com os chefes militares brasileiros no regime de 64.
Aquela altura, dispensado do Exército, tinha aprendido e trouxe comigo a técnica e a prática de planejamento das atividades rotineiras do quartel, que com adaptações naturais, tornaram-se o meu sistema pessoal de administrar. Foi justamente do Quadro de Trabalho Semanal (QTS), ferramenta da caserna, de que me vali decisivamente na Casa Civil do Governo do Distrito Federal.
Trata-se de um dos mais simples instrumentos para evitar o entorpecimento das rotinas, sem deixar de realizá-las. Não foi difícil transportá-lo para o ambiente do Palácio do Buriti. A partir do elementar QTS, tudo funcionava. Horários conhecidos, tarefas determinadas, agenda administrada com rigor, não antecipava nem precipitava nada. Com isso, criou-se uma grande margem de tranqüilidade tanto para o governador exercitar seu programa de construções que complementavam Brasília, como para todos os seus colaboradores tocarem suas tarefas administrativas.
...
Nosso QTS no Palácio do Buriti era definido às segundas-feiras. Tudo era mapeado, inclusive com a participação do cerimonial, secretaria particular e segurança. Por isso, raramente éramos surpreendidos por eventos, mesmo sem termos sido notificados. Graças ao QTS, todo mundo no gabinete sabia o que fazer, quando e como.
Essa metodologia de organização racional do trabalho também me qualificou para tratar com os militares quando precisei lidar com eles do outro lado do balcão, logo depois de deixar o 2º RI e bem antes de chegar ao Governo do Distrito Federal.
Foi mera coincidência, no meu primeiro emprego depois que deixei o Exército, ter justamente de tratar com militares. A Visor Editora e Publicidade, de propriedade de Benedabi Hassi Rocha Martins, editava as revistas da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e da Escola de Cadetes da Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, no Rio, que ainda não havia se transferido para Pirassununga, em São Paulo. Eram publicações anuais, verdadeiros álbuns com os registros das turmas que se formavam naquelas instituições de ensino militar.
A Visor tinha uma espécie de concessão para produzir aquelas revistas. Cuidávamos de tudo, da publicidade à impressão. Os comandos das duas escolas designavam cadetes para tratar das edições. Eles definiam o que desejavam publicar. Nós providenciávamos a revisão, paginação, papel e impressão, inclusive os patrocínios que cobriam as despesas. Ainda estávamos no tempo das máquinas impressoras planas, dos clichês, a pré-história das gráficas modernas e eletrônicas. Fazer uma revista luxuosa, em papel cuchê, não era fácil nem barato.
Era uma revista por ano, tanto no Exército, como na Aeronáutica. Circulavam por ocasião das formaturas dos cadetes, mas exigia uma operação de 12 meses. Os comandos se empenhavam, ajudavam nos contatos com os anunciantes. Os estabelecimentos militares não tinham verbas próprias para custear as revistas, que eram pagas com anúncios e patrocínios.
A chamada Declaração de Oficiais – a formatura anual das academias militares daquele tempo – se constituía em acontecimento nacional, com a presença do presidente da República e as atenções da sociedade. As revistas funcionavam como uma das mais apreciadas lembranças dos cadetes declarados aspirantes-a-oficial, no dia da formatura, quando eram lançadas e distribuídas.
Fiz muitos amigos na área militar. Quando me casei, em 1961, o comando da Escola de Cadetes da Aeronáutica formou uma comissão de três cadetes, com seus belos uniformes, para representá-la. Eles faziam parte da turma do 2º ano. Em 2005, passados 44 anos, encontrei-me em Brasília com o Tenente-Brigadeiro Astor Nina de Carvalho Neto, então chefe do Estado Maior da Aeronáutica e eu chefe do gabinete do Ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Emocionei-me. O brigadeiro Astor, com suas quatro estrelas de oficial-general da Força Aérea, concluindo brilhante carreira na FAB, havia sido um dos cadetes que compareceram ao meu casamento.
* Jorge Motta tornou-se um dos mais competentes executivos do serviço público.
Aprendi que “antes de tudo é preciso situar-se”. Nunca vi essa máxima escrita, nem ensinada, apenas falada, mas sempre ouvi dizer que é a mais preciosa das sabedorias da vida carioca. Onde estamos, quem manda, qual é a regra do jogo, como se entra, como se sai. Estou convencido de que não há sabedoria mais objetiva do que se orientar na ida do que permanentemente indagar – Quem? Como? Onde? Por quê? – como ensinou o grego Aristóteles.
No meio do surpreendente alvoroço e da tremenda surpresa da nomeação de Elmo Farias Serejo para governador de Brasília, e da minha convocação para ser seu homem de confiança na administração do Distrito Federal, jamais deixei de me situar. A realidade brasileira naquele instante – em março de 1974 – exigia atenção especial. Estávamos no auge do regime militar, saindo do governo Médici. A descontração ou “distensão”, expressão preferida pelo cientista político americano Samuel Huntington, só aconteceria a partir de 1977, em meados do governo Geisel. Mesmo assim, condicionada. A abertura deveria ser “lenta, gradual e segura”, ditou o próprio presidente que podia ditar, como demonstraria para a História, decretando o fim do AI-5 e do próprio regime militar. Ou seja, usando os próprios poderes absolutistas que o AI-5 lhe outorgava, Geisel decretou o fim desses poderes.
Um gesto que o consagrou e ao período da vida brasileira que tive a honra de participar, modestamente, num cargo de segundo escalão.
Mas em março de 1974, não dava para esquecer a dureza política do momento. Muito menos adiantava fantasiar. Seria iludir-se. Os militares haviam tomado o poder, estavam gostando, não pareciam disposto a abandoná-lo e, principalmente, por mais que se cercassem de tecnocratas e especialistas, não conseguiam perder suas características profissionais de disciplina, hierarquia, planejamento rígido. Aliás, com exceção do general Golbery e de poucos oficiais entre os muitos que assumiram responsabilidades civis, e que eram políticos extraordinários (muitos deles tinham mais sensibilidade política que os próprios políticos civis profissionais), a regra era os militares se desnaturarem ao afastar-se da caserna para assumir funções no serviço público. Renegavam justamente sua cultura profissional. É um paradoxo, mas eu compreendo, por ter enfrentado na prática o mesmo desafio: o exercício do poder civil não é fácil, nem para os civis.
Ou seja: quando negaram sua cultura militar para se comportar como políticos e civis, abandonaram instrumentos de organização com os quais já estavam familiarizados e perderam boas chances de promover mudanças e moralizações que pretendiam realizar no Estado brasileiro.
Entre os chamados instrumentos administrativos empregados no Exército brasileiro, no dia-a-dia dos quartéis – e que aprendi a utilizar no meu serviço militar, o Quadro de Trabalho Semanal (QTS), pode ser o mais singelo, mas é certamente de uma eficácia extraordinária, além da facilidade de ser por todos entendido. Levei-o do quartel para a vida civil e apliquei-o com êxito na primeira oportunidade que tive de assumir responsabilidades executivas na empresa privada. Considero-o a melhor aprendizagem do meu serviço militar obrigatório.
Tornar-se soldado não era uma escolha, mas um obstáculo que precisava transpor. Também não me revoltei, não me lastimei; pelo contrario, mergulhei de cabeça para tirar da minha passagem pela vida militar tudo o que poderia aprender.
Fui soldado e cabo do Exército na Vila Militar, em Deodoro, Rio de Janeiro. Servi no Segundo Regimento de Infantaria (2º RI), o glorioso Dois de Ouro, seu festejado cognome.
Fiz o curso de sargento justamente quando o primeiro batalhão do 2º RI (um regimento de infantaria era formado por três batalhões) estava sendo preparado para ser enviado à África do Norte e participar da Missão de Paz da ONU no Egito. O Batalhão Suez – como era chamada a tropa brasileira – era constituído 100% por voluntários, mas a seleção incentivava os melhores recrutas. Fui chamado e estimulado, ganhava-se em dólar e todo mundo fazia um pé-de-meia, mas descartei a oferta. Eu estava na tropa para cumprir o dever de cidadania, tinha pressa em iniciar minha vida civil plena e precisava do Certificado de Reservista, documento essencial para cair no mercado de trabalho. Poderia ter cursado o CPOR, Centro Preparatório de Oficiais da Reserva – aberto para quem possuía diploma de curso médio – e sairia aspirante, com chances de estagiar na tropa como oficial por até dois anos, ou mais, como aconteceu com alguns amigos. Mas eu não estava procurando um passatempo, eu queria dar adeus à adolescência, à disponibilidade de solteiro, começar a viver de verdade minha vida adulta, casar. Ora, o CPOR durava dois anos, enquanto como soldado na tropa, seriam apenas 12 meses.
A vida na caserna, sem dúvida, é dura – como demonstrou o poeta Alfred de Vigny, em Servidão e Grandeza Militares, no século XIX – mas o tempo passa mais rápido quando o soldado a enfrenta com seriedade, principalmente consciente de que é um período finito. Não queria me profissionalizar, a caserna não era a minha vocação. Mas cumpri meu serviço militar com dedicação. Fiz os cursos regimentais, fui promovido a cabo e minha boa classificação no curso de sargento premiou-me: meu nome foi incluído na primeira lista de desligamentos da tropa. Como eu desejava.
Sempre recordo os critérios para liberar os recrutas, especialmente os desesperados, como eu, que não viam a hora de retornar à vida civil. Ou, mais precisamente, iniciá-la, pois estávamos todos com 19 anos, começando a maioridade. Os primeiros reservistas a serem liberados – dispensados na “primeira baixa” – são os melhores. Quem for “zerado” – isto é, não tiver punição nas suas “alterações”, tem prioridade no desligamento da tropa. Experimentei a vantagem de haver cumprido a minha parte e pude desfrutar o prêmio.
Aliás, como eram transparentes e estáveis as regras do quartel! Tudo era previsível, e até as punições levavam em consideração atenuantes e agravantes que todos conheciam. Por isso, nunca entendi por que o regime militar de 1964 não aplicou esse princípio sábio – as regras do jogo são sempre cumpridas, jamais alteradas por circunstâncias e interesses pessoais – quando assumiu responsabilidades do governo civil.
Quase todos os militares no poder preferiram desprezar suas ferramentas profissionais, como esse singelo QTS, que aprendi com eles. Ouso dizer que até na repressão política fazia falta a boa doutrina da caserna, que não confunde disciplina com violência, rudeza com grosseria, firmeza com insolência. Pelo menos foi o que me ensinaram e vi ser praticado como regra no 2º RI, na Vila Militar. Naturalmente, com as exceções que o confirmavam.
Tive a impressão, naqueles dias de submissão do poder civil, que os militares vivem uma duplicidade perigosa na relação com o civis. Ou endurecem, tentando submeter irracionalmente a sociedade aos padrões espartanos da sua disciplina profissional e aí gera um clima de guerra, incompatível com a vida em tempo de paz. Ou se perdem, negando sua própria cultura. O mundo civil trata os militares com uma arrogância histórica, principalmente quando pressente formas de submetê-los, como fizeram com o romano Caio Júlio César. Mais ou menos o que os chamados tecnocratas fizeram com os chefes militares brasileiros no regime de 64.
Aquela altura, dispensado do Exército, tinha aprendido e trouxe comigo a técnica e a prática de planejamento das atividades rotineiras do quartel, que com adaptações naturais, tornaram-se o meu sistema pessoal de administrar. Foi justamente do Quadro de Trabalho Semanal (QTS), ferramenta da caserna, de que me vali decisivamente na Casa Civil do Governo do Distrito Federal.
Trata-se de um dos mais simples instrumentos para evitar o entorpecimento das rotinas, sem deixar de realizá-las. Não foi difícil transportá-lo para o ambiente do Palácio do Buriti. A partir do elementar QTS, tudo funcionava. Horários conhecidos, tarefas determinadas, agenda administrada com rigor, não antecipava nem precipitava nada. Com isso, criou-se uma grande margem de tranqüilidade tanto para o governador exercitar seu programa de construções que complementavam Brasília, como para todos os seus colaboradores tocarem suas tarefas administrativas.
...
Nosso QTS no Palácio do Buriti era definido às segundas-feiras. Tudo era mapeado, inclusive com a participação do cerimonial, secretaria particular e segurança. Por isso, raramente éramos surpreendidos por eventos, mesmo sem termos sido notificados. Graças ao QTS, todo mundo no gabinete sabia o que fazer, quando e como.
Essa metodologia de organização racional do trabalho também me qualificou para tratar com os militares quando precisei lidar com eles do outro lado do balcão, logo depois de deixar o 2º RI e bem antes de chegar ao Governo do Distrito Federal.
Foi mera coincidência, no meu primeiro emprego depois que deixei o Exército, ter justamente de tratar com militares. A Visor Editora e Publicidade, de propriedade de Benedabi Hassi Rocha Martins, editava as revistas da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e da Escola de Cadetes da Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, no Rio, que ainda não havia se transferido para Pirassununga, em São Paulo. Eram publicações anuais, verdadeiros álbuns com os registros das turmas que se formavam naquelas instituições de ensino militar.
A Visor tinha uma espécie de concessão para produzir aquelas revistas. Cuidávamos de tudo, da publicidade à impressão. Os comandos das duas escolas designavam cadetes para tratar das edições. Eles definiam o que desejavam publicar. Nós providenciávamos a revisão, paginação, papel e impressão, inclusive os patrocínios que cobriam as despesas. Ainda estávamos no tempo das máquinas impressoras planas, dos clichês, a pré-história das gráficas modernas e eletrônicas. Fazer uma revista luxuosa, em papel cuchê, não era fácil nem barato.
Era uma revista por ano, tanto no Exército, como na Aeronáutica. Circulavam por ocasião das formaturas dos cadetes, mas exigia uma operação de 12 meses. Os comandos se empenhavam, ajudavam nos contatos com os anunciantes. Os estabelecimentos militares não tinham verbas próprias para custear as revistas, que eram pagas com anúncios e patrocínios.
A chamada Declaração de Oficiais – a formatura anual das academias militares daquele tempo – se constituía em acontecimento nacional, com a presença do presidente da República e as atenções da sociedade. As revistas funcionavam como uma das mais apreciadas lembranças dos cadetes declarados aspirantes-a-oficial, no dia da formatura, quando eram lançadas e distribuídas.
Fiz muitos amigos na área militar. Quando me casei, em 1961, o comando da Escola de Cadetes da Aeronáutica formou uma comissão de três cadetes, com seus belos uniformes, para representá-la. Eles faziam parte da turma do 2º ano. Em 2005, passados 44 anos, encontrei-me em Brasília com o Tenente-Brigadeiro Astor Nina de Carvalho Neto, então chefe do Estado Maior da Aeronáutica e eu chefe do gabinete do Ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Emocionei-me. O brigadeiro Astor, com suas quatro estrelas de oficial-general da Força Aérea, concluindo brilhante carreira na FAB, havia sido um dos cadetes que compareceram ao meu casamento.
* Jorge Motta tornou-se um dos mais competentes executivos do serviço público.
Srs. Soldados antigos do “Gama”.
Não gosto de dizer nada em forma. Alonga formaturas – e elas devem ser rápidas. Como milico, a única coisa que posso fazer por vocês é instruir. Instrução não precisa ser um saco, pode ser mais interessante do que um filme.
Tem que ser coisa que sirva para a vida toda. Pequenos hábitos que se pusermos em prática, sejamos melhores a cada ano. Parece loucura? Provavelmente.
Não custa nada compartilhar com vocês.
Uma das coisas que está pegando é energia. Vocês precisam manter em mente que o corpo de vocês é como uma máquina e também requer manutenção. A dieta do miojo – uma idéia que torna a vida de universitários “sobrevivível” – é prejudicial ao organismo.
O “mini-rancho” do destacamento fornece estrutura mais acessível que a cidade. E sai mais barato. Sugiro a adesão porque quanto mais gente participar, melhor pode ser o cardápio.
Sugiro também que quem não possa pagar o valor de 100,00 arbitrado ao funcionamento faça contato com a Dra. Sara(h). Cadastrar-se para o recebimento de uma cesta básica. Ao recebê-la, forneça ao rancho e considere-se “arraçoado”. A verba destinada às cestas básicas muitas vezes sobram por falta de informação dos próprios usuários. Em suma: ajudem a Dra. Sara a ajudar vocês!
Estimando vinte soldados, significa vinte cestas básicas direcionadas à energia que vocês precisam - inclusive para estudar.
Tem um detalhe: o sabor das refeições pode ser acompanhado pelos senhores mesmos! Na verdade, creio que qualquer um que se candidate a ajudar os cozinheiros será muito bem vindo.
O almoço do dia 12/04/2011 foi feito somente pelo Javier.
Javier tá com ponto positivo comigo. Trazer dispensa para assinar. Energia, senhores, administrem a energia.
Tem que ser coisa que sirva para a vida toda. Pequenos hábitos que se pusermos em prática, sejamos melhores a cada ano. Parece loucura? Provavelmente.
Não custa nada compartilhar com vocês.
Uma das coisas que está pegando é energia. Vocês precisam manter em mente que o corpo de vocês é como uma máquina e também requer manutenção. A dieta do miojo – uma idéia que torna a vida de universitários “sobrevivível” – é prejudicial ao organismo.
O “mini-rancho” do destacamento fornece estrutura mais acessível que a cidade. E sai mais barato. Sugiro a adesão porque quanto mais gente participar, melhor pode ser o cardápio.
Sugiro também que quem não possa pagar o valor de 100,00 arbitrado ao funcionamento faça contato com a Dra. Sara(h). Cadastrar-se para o recebimento de uma cesta básica. Ao recebê-la, forneça ao rancho e considere-se “arraçoado”. A verba destinada às cestas básicas muitas vezes sobram por falta de informação dos próprios usuários. Em suma: ajudem a Dra. Sara a ajudar vocês!
Estimando vinte soldados, significa vinte cestas básicas direcionadas à energia que vocês precisam - inclusive para estudar.
Tem um detalhe: o sabor das refeições pode ser acompanhado pelos senhores mesmos! Na verdade, creio que qualquer um que se candidate a ajudar os cozinheiros será muito bem vindo.
O almoço do dia 12/04/2011 foi feito somente pelo Javier.
Javier tá com ponto positivo comigo. Trazer dispensa para assinar. Energia, senhores, administrem a energia.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
MANUAL DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA O MOTORISTA - Tipo 1
Estilo Coloquial (direto e reto)
Saiu para a missão?
1. Engraxe o sapato ou o boot (7º ou 10º uniforme), faça um vinco na canícula para parecer um playboy: todo arrumado. Daí ninguém te enche o saco com regulamento.
2. Adquiram sprit de corp, ou seja: espírito de corpo. Tem quem diga que significa moral. Entenda moral como um sentimento de correição que fortalece o grupo. O que distingue militares de civis é a capacidade de priorizar as coisas rapidamente.Tratar o companheiro de serviço com certa atenção. Lembre-se: ele está no mesmo barco que você é com quem você poderá contar se o Brasil continuar uma merda.
Isso torna o grupo e para você mesmo. Busque confiança mútua, seja confiante em sua capacidade e na capacidade de seu grupo: desenvolvam suas capacidades. Ajam como um grupo. Nada de encher o saco do colega com brincadeiras exageradas. No quartel, você pode DESCANSAR DOS PROBLEMAS DE CASA!!!
3. Vê se não caga a porra da viatura. Não é porque é uma Land Rover, que você vai fazer um “Paris-Dakar” dentro do destacamento.
4. Tenta ajudar o pessoal da administração a concentrar todo o serviço a ser despachado com a sede rapidamente e sem esquecimento. Ajude-os a evitar ligar para que volte quando você já está no meio do caminho DE IDA. Sacanagem, porra!
5. Não chega em cima e nem depois da hora combinada com quem pediu a condução. Isso faz com que você precise correr e põe em risco pontos em sua carteira e pagamento de multa da condução. Chegue uns 10 minutos antes.
6. Abra a porta para os chefes quando estiverem cheios de malas ou não. Acreditem se quiser, ouvi falar de autoridade idosa que prendeu os dedos na porta de um opalão e passou meses sem poder assinar nem uma dispensa. Você não vai querer ficar sem dispensa, vai?
7. A regra é TODO MUNDO DE CINTO, inclusive no banco traseiro. Quando iniciar o serviço de Motorista-de-Dia trate de deixar todos os cintos disponíveis, e não caídos embaixo do banco. Padronize: ligue o rádio na Força Aérea FM (91,1Fm).
8. Ande abaixo do máximo. Nada de aproveitar o atraso dos outros para “chinelar” as conduções. Tá chovendo, compadre, ande devagar. Repare que você dificilmente vai ver um motorista de ministério “cabeça branca” espremendo o acelerador de um ônibus ou apertando o carro da frente com um veículo oficial. Não precisamos ser mal-educados como policiais de rua em perseguição...
9. Chegou no evento de destino? Procure um local onde ninguém acerte a condução, tranque e mantenha as chaves no bolso.
10. Passageiro saiu do carro? Vê se não esqueceu nada.
11. Avise para quem despachar a missão que ela foi concluída.
12. Nada de “zerinhos”, derrapadas e cantadas de pneu. Não corra com a condução, não queime embreagem à toa para não se acostumar a transportar pessoas como sacos de batata. O passageiro tem direito a se sentir seguro nas mãos de um motorista militar. Não dê chance para o inimigo trazer perícia.
Saiu para a missão?
1. Engraxe o sapato ou o boot (7º ou 10º uniforme), faça um vinco na canícula para parecer um playboy: todo arrumado. Daí ninguém te enche o saco com regulamento.
2. Adquiram sprit de corp, ou seja: espírito de corpo. Tem quem diga que significa moral. Entenda moral como um sentimento de correição que fortalece o grupo. O que distingue militares de civis é a capacidade de priorizar as coisas rapidamente.Tratar o companheiro de serviço com certa atenção. Lembre-se: ele está no mesmo barco que você é com quem você poderá contar se o Brasil continuar uma merda.
Isso torna o grupo e para você mesmo. Busque confiança mútua, seja confiante em sua capacidade e na capacidade de seu grupo: desenvolvam suas capacidades. Ajam como um grupo. Nada de encher o saco do colega com brincadeiras exageradas. No quartel, você pode DESCANSAR DOS PROBLEMAS DE CASA!!!
3. Vê se não caga a porra da viatura. Não é porque é uma Land Rover, que você vai fazer um “Paris-Dakar” dentro do destacamento.
4. Tenta ajudar o pessoal da administração a concentrar todo o serviço a ser despachado com a sede rapidamente e sem esquecimento. Ajude-os a evitar ligar para que volte quando você já está no meio do caminho DE IDA. Sacanagem, porra!
5. Não chega em cima e nem depois da hora combinada com quem pediu a condução. Isso faz com que você precise correr e põe em risco pontos em sua carteira e pagamento de multa da condução. Chegue uns 10 minutos antes.
6. Abra a porta para os chefes quando estiverem cheios de malas ou não. Acreditem se quiser, ouvi falar de autoridade idosa que prendeu os dedos na porta de um opalão e passou meses sem poder assinar nem uma dispensa. Você não vai querer ficar sem dispensa, vai?
7. A regra é TODO MUNDO DE CINTO, inclusive no banco traseiro. Quando iniciar o serviço de Motorista-de-Dia trate de deixar todos os cintos disponíveis, e não caídos embaixo do banco. Padronize: ligue o rádio na Força Aérea FM (91,1Fm).
8. Ande abaixo do máximo. Nada de aproveitar o atraso dos outros para “chinelar” as conduções. Tá chovendo, compadre, ande devagar. Repare que você dificilmente vai ver um motorista de ministério “cabeça branca” espremendo o acelerador de um ônibus ou apertando o carro da frente com um veículo oficial. Não precisamos ser mal-educados como policiais de rua em perseguição...
9. Chegou no evento de destino? Procure um local onde ninguém acerte a condução, tranque e mantenha as chaves no bolso.
10. Passageiro saiu do carro? Vê se não esqueceu nada.
11. Avise para quem despachar a missão que ela foi concluída.
12. Nada de “zerinhos”, derrapadas e cantadas de pneu. Não corra com a condução, não queime embreagem à toa para não se acostumar a transportar pessoas como sacos de batata. O passageiro tem direito a se sentir seguro nas mãos de um motorista militar. Não dê chance para o inimigo trazer perícia.
MANUAL DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA O MOTORISTA - Tipo 2
Estilo Formal
Em missão:
1. Mantenha apresentação pessoal e estar adequadamente uniformizado para a missão (7º ou 10º uniforme).
2. Busque manter o bom humor e disposição para o trabalho, pois gera bem estar para os usuários e para você mesmo. Transmita confiança.
3. Conserve o veículo limpo e apto para realizar o trabalho.
4. Confirme o trabalho a realizar com todas as informações necessárias sobre o trajeto e local de saída e chegada.
5. Esteja no local designado para a saída com 10 minutos de antecedência contatando em sua chegada o usuário da viagem.
6. Na recepção ao usuário, facilite para o usuário o acesso ao interior do veículo.
7. Observe o uso do cinto de segurança dos ocupantes do veículo, inclusive no banco traseiro, proceder a operação do ar condicionado, musica ambiente adequada, etc.
8. Em viagens mantenha velocidade 5% menor que a permitida nas vias. Em pistas
úmidas ou com chuva excessiva, reduzir a velocidade 20%. Nas rodovias, viajar sempre de modo seguro, mantendo distância dos veículos a sua frente e manter a velocidade 10% menor que a máxima permitida.
9. Ao chegar ao destino estacione o veículo em local permitido e seguro, retire chaves do contato ao desligar o veículo e, conforme evento ou solenidade, abra a porta para o usuário e auxiliá-lo caso tenha alguma bagagem.
10. Verifique o veículo constatando se o passageiro não deixou nada dentro do mesmo.
11. Após deixar o passageiro no seu destino, informe ao Sgt-de-Dia a finalização do trabalho ao retornar para o destacamento.
12. Proporcione viagem segura, pontual e confortável, tornando o trajeto plenamente satisfatório, confiável e sem desgaste. Habitue-se a dirigir com cautela.
Em missão:
1. Mantenha apresentação pessoal e estar adequadamente uniformizado para a missão (7º ou 10º uniforme).
2. Busque manter o bom humor e disposição para o trabalho, pois gera bem estar para os usuários e para você mesmo. Transmita confiança.
3. Conserve o veículo limpo e apto para realizar o trabalho.
4. Confirme o trabalho a realizar com todas as informações necessárias sobre o trajeto e local de saída e chegada.
5. Esteja no local designado para a saída com 10 minutos de antecedência contatando em sua chegada o usuário da viagem.
6. Na recepção ao usuário, facilite para o usuário o acesso ao interior do veículo.
7. Observe o uso do cinto de segurança dos ocupantes do veículo, inclusive no banco traseiro, proceder a operação do ar condicionado, musica ambiente adequada, etc.
8. Em viagens mantenha velocidade 5% menor que a permitida nas vias. Em pistas
úmidas ou com chuva excessiva, reduzir a velocidade 20%. Nas rodovias, viajar sempre de modo seguro, mantendo distância dos veículos a sua frente e manter a velocidade 10% menor que a máxima permitida.
9. Ao chegar ao destino estacione o veículo em local permitido e seguro, retire chaves do contato ao desligar o veículo e, conforme evento ou solenidade, abra a porta para o usuário e auxiliá-lo caso tenha alguma bagagem.
10. Verifique o veículo constatando se o passageiro não deixou nada dentro do mesmo.
11. Após deixar o passageiro no seu destino, informe ao Sgt-de-Dia a finalização do trabalho ao retornar para o destacamento.
12. Proporcione viagem segura, pontual e confortável, tornando o trajeto plenamente satisfatório, confiável e sem desgaste. Habitue-se a dirigir com cautela.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Bizu 01
Olha, vou “dar uma letra” aqui, nesse blog que criei para vocês, porque não tenho coragem de escrever a respeito disso em um memorando, ou coisa assim.
Vocês, soldados do que antigamente chamavam de DPV-DT 61, têm potencial de serem conhecidos como os melhores soldados do país – e eu estou escrevendo às 19:30, no meio do meu descanso, porque se eu não fizer em casa, não conseguirei fazer no trabalho.
Tenho certeza que o Tenente – de vez em quando tem vontade de formular uma instrução para vocês. O que falta é tempo.
Instrução significa: aulas de RISAER (Regulamento Interno de Serviços da Aeronáutica), RDAER (Regulamento Disciplinar da Aeronáutica), RCONT (Regulamento de Continências). O problema é que quando vocês estivessem devidamente padronizados, a “baixa” foderia vocês. Não adianta ser foda e morrer cedo, militarmente falando.
Então, boas matérias para se estudar são as que garantirão tanto sua permanência na FAB – que observo que vocês valorizam – quanto em qualquer concurso público.
Matemática e Português
Tem outro lance: durante o dia é mais difícil alocar tempo para estudar quando estamos como baratas voando com panes aparecendo em todo canto. É a merda do painel da bomba dágua que é um cu de se entender, a falta – ou dificuldade de acesso – a ferramentas para o dia-a-dia, e até mesmo dificuldades financeiras. Vocês têm que parar de pensar que ser rico, ou bem sucedido, seja uma questão de sorte. É questão de força de vontade. E se vocês estudarem à noite, em cada serviço de permanência, serão bem sucedidos.
Recapitulando: precisamos aprender rápido a tanto resolver quanto evitar as panes. A única pane em qualquer concurso, inclusive o da Escola de Especialistas, é não saber a matéria exigida.
É questão de método. E você só adquire método se tiver disciplina. Parem e pensem: a cada dia vocês podem tornar mais eficazes suas próprias rotinas - questão de método. WELLISSON me repetiu o que um idiota disse para ele. Um idiota disse que ele tinha déficit de atenção. Papo furado de psicólogo pueril. WELLISSON pensa como todo mundo: há coisas que são tão entediantes que não nos prendem a atenção. WELLISSON entendeu que tinha dificuldades de aprendizado.
Quem tem dificuldade de aprendizado foi o estúpido que disse isso a ele. A capacidade de concentração depende de treinamento. Ele se inicia com a compreensão da leitura – só isso. Existe realmente um problema de aprendizado que se chama “analfabetismo funcional”. O analfabeto funcional consegue ler as palavras, mas não consegue visualizar claramente o enunciado de uma frase longa. Se você conseguiu ler até aqui, você não é um analfabeto funcional.
A questão é que as coisas que lemos têm que ser interessantes. O divertido é que se não fosse a respeito de você, você não teria lido até aqui.
Todos vocês têm potencial fácil de desenvolver. Tudo o que preciso é apresentar a vocês Sun Tzu. Sun Tzu foi um estrategista chinês muito foda. Ele dizia “Em tempo de paz, prepara-te para a guerra” – e isso faz muito sentido na vida de um destacamento. Isso significa, entre as inúmeras idéias, que você deve se preparar para o futuro, enquanto ainda tem idade para investir em você mesmo. Qualquer um tolera ter apenas 20 anos de idade e não ter dinheiro. Ninguém gosta de ter mais de 30 e não ter um centavo no bolso. Gerenciar dinheiro muitas vezes parece uma guerra.
Conheçam a Arte da Guerra, de Sun Tzu.
“Esta é a arte da guerra:
Discuta as distâncias.
Discuta seus números.
Discuta seus cálculos.
Discuta suas decisões.
Discuta a vitória.
O território determina a distância.
A distância determina seus números.
Seus números determinam seus cálculos.
Seus cálculos determinam suas decisões.
Suas decisões determinam sua vitória.”
Realmente: ao estudar para qualquer propósito, você precisa discutir a dificuldade, os concorrentes, o tempo necessário para assimilar a matéria antes da prova, a firmeza de propósito em passar na prova e as vantagens que obterá depois de atingir o objetivo.
Leiam. Não tenham preguiça de ler. Sei que as informações são muito mais mastigadas hoje em dia. Não é necessário concentração para assistir um filme, mas é impossível entender um livro sem prestar atenção no que ele tenta transmitir. Torça para que os concorrentes adquiram preguiça de leitura.
É fácil encontrar no Youtube um monte de experiências, mas poucas pessoas têm paciência de aprender química colegial. A diferença é exatamente essa: quem tem paciência de ler e a capacidade de lembrar onde foi que leu – é o cara foda que comprova com um certificado. Esse ganha dinheiro.
O resto quando muito aprende a fabricar sabão.
Um amigo meu estava comentando a respeito da Legião Estrangeira. Os caras parecem ser fodas – são chamados legionários. Ainda não li o que aprendem na Legião Estrangeira, mas sei de algumas missões que lhes foram atribuídas (1990-91 : Guerra do Golfo, 1992-93 : Camboja, Somália, 1994 : Ruanda, 1993-2003 : Bósnia, Kosovo, Macedónia, 1996 : República Centro-africana...).
...a gente parece estar vendendo sabão. Os painéis elétricos das bombas dágua continuam dando pau, vira e mexe a grama parece crescer demais, o chão está sempre sujando mais. A gente tem se desgastado para fazer as mesmas tarefas sempre, quando deveria simplificar as coisas.
Pra evitar limpar, basta evitar sujar.
E se não precisar limpar porque não está sujo, sobra tempo para estudar.
Não estou dizendo para vocês estudarem a esmo, sem objetivo. Vocês tem que ter em mente que enquanto vocês estão servindo, os civis estão se adiantando e procurando os melhores empregos. Normalmente eles têm o dia inteiro, um pai para patrocinar e um teto que não precisam alimentar. Isso é uma vantagem enorme sobre concorrentes que estejam enrolados cortando grama porque cresceu demais.
O segredo nesse caso é não deixar crescer demais. Buscar estabelecer uma rotina de manutenção. Isso vai evitar o desgaste excessivo nos dias de visitas e inspeções.
Sun Tzu diz: ”Mantenha-se preparado. Partir atrasado para o combate tornará a batalha mais difícil.”
Logo, se você tem certa de 20 anos, comece a estudar o que você precisará saber a partir de hoje. Matemática e português. É um fato médico que a capacidade de aprendizado do ser humano definha quando ele não exercita.
Não comece pelo que você não gosta. Comece estudando o que você tem afinidade. Nesse mister, vou enumerar os pontos fortes de alguns dos “combatentes” mais promissores:
MAXILLENO – codinome “Zero-Um”: inclinação para eletrônica. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento de auto-falantes precisa aprender uma parte da Física chamada “Eletricidade”. Nela vai encontrar alguns conceitos utilizados no mundo da Eletrônica, e dominar esse conhecimento significa saber montar rádio transmissores, amplificadores e efetuar pequenos reparos em TVs, CDs automotivos, motores...
P. ARAÚJO – codinome “Pilantra”: inclinação para legislação. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento da legislação precisa aprender Direito Constitucional, Direito Administrativo, Penal e Civil. As regras jurídicas são utilizadas em diversos eventos da vida e dominar esse conhecimento significa ter controle e poder sobre situações diárias que envolvem a necessidade de advogado. Um homem que conhece bem a lei sempre é um homem temido. Perigoso se souber usá-la.
RESENDE – codinome “Metalman”: inclinação para soldagens e reparos em metal. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento de equipamentos precisa aprender Metalurgia. Dentro da metalurgia vai saber utilizar um torno, e isso significa saber fazer peças – inclusive automotivas de reposição. Nunca vi um bom torneiro mecânico (daqueles que sabem desenho industrial e ainda pegam no torno) sem dinheiro no bolso. Soube de um em São Paulo que comprava um carro zero, desmontava inteirinho e pesquisava que peças tinham propensão a quebrar. Fabricava com material mais resistente que o original e vendia com vantagem sobre o preço da peça original.
E tem mais gente safa por aí:
DHANILLO, DA COSTA e DE MATOS – fodas em sistemas administrativos. Isso dá dinheiro tanto na vida pública quanto na iniciativa privada, vão em frente. Estudem direito administrativo e redação oficial.
Os demais vão se descobrindo com o tempo. O fato de não citar mais ninguém é porque já são 21:48, e por hoje chega. Com o tempo pinta mais bizu.
Não esqueçam: todo dia é uma nova oportunidade de melhorar.
Vocês, soldados do que antigamente chamavam de DPV-DT 61, têm potencial de serem conhecidos como os melhores soldados do país – e eu estou escrevendo às 19:30, no meio do meu descanso, porque se eu não fizer em casa, não conseguirei fazer no trabalho.
Tenho certeza que o Tenente – de vez em quando tem vontade de formular uma instrução para vocês. O que falta é tempo.
Instrução significa: aulas de RISAER (Regulamento Interno de Serviços da Aeronáutica), RDAER (Regulamento Disciplinar da Aeronáutica), RCONT (Regulamento de Continências). O problema é que quando vocês estivessem devidamente padronizados, a “baixa” foderia vocês. Não adianta ser foda e morrer cedo, militarmente falando.
Então, boas matérias para se estudar são as que garantirão tanto sua permanência na FAB – que observo que vocês valorizam – quanto em qualquer concurso público.
Matemática e Português
Tem outro lance: durante o dia é mais difícil alocar tempo para estudar quando estamos como baratas voando com panes aparecendo em todo canto. É a merda do painel da bomba dágua que é um cu de se entender, a falta – ou dificuldade de acesso – a ferramentas para o dia-a-dia, e até mesmo dificuldades financeiras. Vocês têm que parar de pensar que ser rico, ou bem sucedido, seja uma questão de sorte. É questão de força de vontade. E se vocês estudarem à noite, em cada serviço de permanência, serão bem sucedidos.
Recapitulando: precisamos aprender rápido a tanto resolver quanto evitar as panes. A única pane em qualquer concurso, inclusive o da Escola de Especialistas, é não saber a matéria exigida.
É questão de método. E você só adquire método se tiver disciplina. Parem e pensem: a cada dia vocês podem tornar mais eficazes suas próprias rotinas - questão de método. WELLISSON me repetiu o que um idiota disse para ele. Um idiota disse que ele tinha déficit de atenção. Papo furado de psicólogo pueril. WELLISSON pensa como todo mundo: há coisas que são tão entediantes que não nos prendem a atenção. WELLISSON entendeu que tinha dificuldades de aprendizado.
Quem tem dificuldade de aprendizado foi o estúpido que disse isso a ele. A capacidade de concentração depende de treinamento. Ele se inicia com a compreensão da leitura – só isso. Existe realmente um problema de aprendizado que se chama “analfabetismo funcional”. O analfabeto funcional consegue ler as palavras, mas não consegue visualizar claramente o enunciado de uma frase longa. Se você conseguiu ler até aqui, você não é um analfabeto funcional.
A questão é que as coisas que lemos têm que ser interessantes. O divertido é que se não fosse a respeito de você, você não teria lido até aqui.
Todos vocês têm potencial fácil de desenvolver. Tudo o que preciso é apresentar a vocês Sun Tzu. Sun Tzu foi um estrategista chinês muito foda. Ele dizia “Em tempo de paz, prepara-te para a guerra” – e isso faz muito sentido na vida de um destacamento. Isso significa, entre as inúmeras idéias, que você deve se preparar para o futuro, enquanto ainda tem idade para investir em você mesmo. Qualquer um tolera ter apenas 20 anos de idade e não ter dinheiro. Ninguém gosta de ter mais de 30 e não ter um centavo no bolso. Gerenciar dinheiro muitas vezes parece uma guerra.
Conheçam a Arte da Guerra, de Sun Tzu.
“Esta é a arte da guerra:
Discuta as distâncias.
Discuta seus números.
Discuta seus cálculos.
Discuta suas decisões.
Discuta a vitória.
O território determina a distância.
A distância determina seus números.
Seus números determinam seus cálculos.
Seus cálculos determinam suas decisões.
Suas decisões determinam sua vitória.”
Realmente: ao estudar para qualquer propósito, você precisa discutir a dificuldade, os concorrentes, o tempo necessário para assimilar a matéria antes da prova, a firmeza de propósito em passar na prova e as vantagens que obterá depois de atingir o objetivo.
Leiam. Não tenham preguiça de ler. Sei que as informações são muito mais mastigadas hoje em dia. Não é necessário concentração para assistir um filme, mas é impossível entender um livro sem prestar atenção no que ele tenta transmitir. Torça para que os concorrentes adquiram preguiça de leitura.
É fácil encontrar no Youtube um monte de experiências, mas poucas pessoas têm paciência de aprender química colegial. A diferença é exatamente essa: quem tem paciência de ler e a capacidade de lembrar onde foi que leu – é o cara foda que comprova com um certificado. Esse ganha dinheiro.
O resto quando muito aprende a fabricar sabão.
Um amigo meu estava comentando a respeito da Legião Estrangeira. Os caras parecem ser fodas – são chamados legionários. Ainda não li o que aprendem na Legião Estrangeira, mas sei de algumas missões que lhes foram atribuídas (1990-91 : Guerra do Golfo, 1992-93 : Camboja, Somália, 1994 : Ruanda, 1993-2003 : Bósnia, Kosovo, Macedónia, 1996 : República Centro-africana...).
...a gente parece estar vendendo sabão. Os painéis elétricos das bombas dágua continuam dando pau, vira e mexe a grama parece crescer demais, o chão está sempre sujando mais. A gente tem se desgastado para fazer as mesmas tarefas sempre, quando deveria simplificar as coisas.
Pra evitar limpar, basta evitar sujar.
E se não precisar limpar porque não está sujo, sobra tempo para estudar.
Não estou dizendo para vocês estudarem a esmo, sem objetivo. Vocês tem que ter em mente que enquanto vocês estão servindo, os civis estão se adiantando e procurando os melhores empregos. Normalmente eles têm o dia inteiro, um pai para patrocinar e um teto que não precisam alimentar. Isso é uma vantagem enorme sobre concorrentes que estejam enrolados cortando grama porque cresceu demais.
O segredo nesse caso é não deixar crescer demais. Buscar estabelecer uma rotina de manutenção. Isso vai evitar o desgaste excessivo nos dias de visitas e inspeções.
Sun Tzu diz: ”Mantenha-se preparado. Partir atrasado para o combate tornará a batalha mais difícil.”
Logo, se você tem certa de 20 anos, comece a estudar o que você precisará saber a partir de hoje. Matemática e português. É um fato médico que a capacidade de aprendizado do ser humano definha quando ele não exercita.
Não comece pelo que você não gosta. Comece estudando o que você tem afinidade. Nesse mister, vou enumerar os pontos fortes de alguns dos “combatentes” mais promissores:
MAXILLENO – codinome “Zero-Um”: inclinação para eletrônica. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento de auto-falantes precisa aprender uma parte da Física chamada “Eletricidade”. Nela vai encontrar alguns conceitos utilizados no mundo da Eletrônica, e dominar esse conhecimento significa saber montar rádio transmissores, amplificadores e efetuar pequenos reparos em TVs, CDs automotivos, motores...
P. ARAÚJO – codinome “Pilantra”: inclinação para legislação. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento da legislação precisa aprender Direito Constitucional, Direito Administrativo, Penal e Civil. As regras jurídicas são utilizadas em diversos eventos da vida e dominar esse conhecimento significa ter controle e poder sobre situações diárias que envolvem a necessidade de advogado. Um homem que conhece bem a lei sempre é um homem temido. Perigoso se souber usá-la.
RESENDE – codinome “Metalman”: inclinação para soldagens e reparos em metal. Para compreender o funcionamento e melhor aproveitamento de equipamentos precisa aprender Metalurgia. Dentro da metalurgia vai saber utilizar um torno, e isso significa saber fazer peças – inclusive automotivas de reposição. Nunca vi um bom torneiro mecânico (daqueles que sabem desenho industrial e ainda pegam no torno) sem dinheiro no bolso. Soube de um em São Paulo que comprava um carro zero, desmontava inteirinho e pesquisava que peças tinham propensão a quebrar. Fabricava com material mais resistente que o original e vendia com vantagem sobre o preço da peça original.
E tem mais gente safa por aí:
DHANILLO, DA COSTA e DE MATOS – fodas em sistemas administrativos. Isso dá dinheiro tanto na vida pública quanto na iniciativa privada, vão em frente. Estudem direito administrativo e redação oficial.
Os demais vão se descobrindo com o tempo. O fato de não citar mais ninguém é porque já são 21:48, e por hoje chega. Com o tempo pinta mais bizu.
Não esqueçam: todo dia é uma nova oportunidade de melhorar.
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