terça-feira, 31 de maio de 2011

Números



Cresci ouvindo de algumas pessoa que “o homem é o que ele tem no bolso”. De outras, ouvia que “riqueza não traz felicidade”. Normalmente os que achavam que ricos não eram felizes eram exatamente os que não tinham nada no bolso além da própria identidade.

Não é questão de materialismo, ou capitalismo. É questão de recursos.

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E para entender os números, é interessante ter em mãos algumas referências. Pegue seu contracheque. Fucei algumas gavetas e encontrei uma boa quantidade. No meu caso, o mais antigo era de OUTUBRO de 1993. Naquele tempo um soldado recebia cerca de $ 6.765,00. O número era esse. A questão era a cifra. O quanto representava naquela época esse número. Cifra, ou Cifrão, é o símbolo “$”. Um “s” maiúsculo, cruzado duas vezes de cima para baixo. Pesquisando no Wikipédia, você vai encontrar que cifrão é o seguinte:





“O cifrão, cujo símbolo é , é o marcador de moeda de alguns países da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname e Uruguai. O símbolo está fortemente associado ao contexto monetário/financeiro.





Com o passar dos anos as moedas começaram a ter uma representação gráfica, geralmente constituída por duas partes: uma sigla de designação abreviada para o padrão monetário, que varia de país para país, e o cifrão, símbolo universal do dinheiro e que se origina etimologicamente do árabe cifr, que em português também originou cifra.





O general Táriq-ibn-Ziyád, o Conquistador, em nome dos Califas Omíadas comandou a invasão do reino Visigodo no ano 711 da era cristã. Existem duas versões quanto ao caminho percorrido pelo general árabe. A primeira, em que teria Táriq partindo de Tânger, cidade de Marrocos, e da qual era governador. A Segunda, em que, para alcançar a Europa, teria Tárique partido da Arábia e passado, sucessivamente, pelo Egito, desertos do Saara e da Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos; cruzando o estreito das Colunas de Hércules e chegado, por fim, à Península Ibérica. Táriq teria mandado gravar, em moedas comemorativas do feito, uma linha sinuosa, em forma de "S", representando o longo e tortuoso caminho percorrido para alcançar o continente europeu. Cortando essa linha sinuosa mandou colocar, no sentido vertical, duas colunas paralelas, representando as Colunas de Hércules, significando a força, poder e a perseverança da empreitada. O símbolo, assim gravado nas moedas, se difundiu e passou a ser reconhecido com o passar dos anos, em todo o mundo, como cifrão, representação gráfica do dinheiro.”





Além da definição da internet, nunca esqueci que as professoras de primeiro grau sempre mandavam cortar o “S” com dois traços, nunca com um. Diziam que a gente não pode ter preguiça de cortar duas vezes – é um esforço mínimo em relação ao esforço de invadir um reino, andar desertos imprimindo dinheiro com o metal dos outros. Metal pilhado.





“$”, “₢” ou “₴” – o que fosse – vinha ainda acompanhado por outra letra.





O Cruzeiro (₢$) foi a moeda do Brasil de 1942 a 1967, de 1970 a 1986 e de 1990 a 1993. Sua adoção se deu pela primeira vez em 1942, durante o Estado Novo, na primeira mudança de padrão monetário no país, com o propósito de uniformizar o dinheiro em circulação. Um cruzeiro equivalia a mil réis. O Cruzeiro passou por uma reforma monetária no governo Castelo Branco, sendo temporariamente substituído pelo Cruzeiro Novo. A moeda voltou a ser substituída pela equipe do presidente José Sarney, com o Plano Cruzado; o Cruzeiro voltou a vigorar no governo Collor e foi definitivamente substituído pelo Cruzeiro Real em 1993.





As primeiras cédulas deste padrão foram cédulas de 50.000, 100.000 e 500.000 cruzeiros nas quais foi aposto um carimbo com o novo padrão. Daí criaram cédulas de Cruzado Real, em valores de CR$ 50,[1] 100,[1] 500,[1] 1000, 5000 e 50.000.





Em substituição as cédulas mais antigas do padrão anterior, foram lançadas inicialmente as moedas de 5 e 10 cruzeiros reais, sendo que mais adiante foram lançadas também as moedas de 50 e 100 cruzeiros reais.





Uma curiosidade destas moedas é que a expressão "cruzeiros reais" não aparece na moeda, sendo que ela foi substituída pelo símbolo CR$ e nas quais aparecem no reverso animais ameaçados de extinção.





Em 1994, todo o numerário das cédulas e moedas desse padrão, bem como as cédulas remanescentes dos padrões anteriores foram recolhidas na troca pelas novas cédulas do padrão Real, perdendo o seu valor a partir de agosto deste mesmo ano.




Ou seja:





Pode-se ter uma idéia da hiperinflação brasileira ao converter o real (atual) para o real da época do Império: 1 real atual seria equivalente a 2750 (conversão para cruzeiro real) x 1000 (conversão para cruzeiro) x 1 (conversão para cruzado novo) x 1000 (conversão para cruzado) x 1000 (conversão para cruzeiro novo) x 1000 (conversão para cruzeiro) x 1000 (conversão para real) = 2.750.000.000.000.000.000 (dois quintilhões e 750 quatrilhões) de réis ou 2.750.000.000.000:000$000 (dois trilhões e 750 bilhões de contos de réis).





Tá vendo a merda que é trabalhar com números grandes? Por isso inventaram o Real.
Para conter o processo de inflação – o ato de remarcar para cima os preços dos produtos a serem negociados, fixaram em números menores o que você pode comprar. Isso estabilizou a remarcação constante de preços.




• Vintém - 20 réis
• Tostão - 80 réis - período Colonial e Imperial
• Tostão - 100 réis - Moeda em cuproníquel emitida entre 1917 a 1932
• Pataca - 320 réis
• Cruzado - 400 / 480 réis
• Patacão - 960 réis
• Dobra - 12.800 réis (12$800)
• Dobrão - 20.000 réis (20$000)"

Só me lembro que no final do mês, em 94, eu ganhava em real e não sobrava uma pataca.