quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Decida Enriquecer

Os milionários pensam a longo prazo.
A classe média pensa a curto prazo.

A sociedade pode ser dividida em cinco grupos de pessoas: as muito pobres, as pobres, as de classe média, as ricas e as milionárias. Cada um desses grupos raciocina de maneira diferente em relação ao dinheiro. O pensamento das pessoas muito pobres está voltado para cada dia; o das pessoas pobres, para cada semana; o da classe média, para cada mês; o das pessoas ricas, para cada ano e o dos milionários para cada década.

A mentalidade desses cinco grupos sociais evidencia três objetivos básicos. No caso das pessoas pobres e muito pobres trata-se da sobrevivência. Para a classe média, a meta é o conforto, enquanto para os ricos e os milionários é a liberdade.

O que faz com que os indivíduos pobres e muito pobres busquem a sobrevivência e os da classe média almejem o conforto é a mentalidade de escassez. Eles acreditam que não há dinheiro bastante para que todos tenham mais do que o suficiente. Mas as pessoas ricas e os milionários sabem que isso não é verdade.

A quantidade de dinheiro que uma pessoa ganha está intimamente relacionada com suas crenças nessa área. Se ela cultiva uma mentalidade de escassez, seu objetivo básico será sobreviver ou ter apenas o suficiente para obter conforto. Quem possui uma mentalidade de abundância perseguirá a liberdade financeira. O ditado que diz “procure e encontrará” é verdadeiro quando se trata desse assunto. De fato, obtemos aquilo que buscamos na vida. Se queremos sobreviver, é isso o que acontecerá. Se almejamos o conforto, é o que vamos conseguir. Se desejamos ter liberdade, a conquistaremos.

Existe poder no pensamento a longo prazo. Ele pode tornar você uma pessoa rica e fará isso desde que seja adotado como um hábito.

Observemos a fundo esses cinco grupos sociais.

Pensar em termos de cada dia é peculiar às pessoas muito pobres, como pedintes e trabalhadores ocasionais.

O pensamento que está voltado para cada semana é característico das pessoas pobres, entre as quais estão as que realizam trabalhos de baixa remuneração e mal conseguem pagar suas contas.

A atenção dirigida a cada mês é peculiar às pessoa da classe média. Sua preocupação é com as contas mensais como aluguel, prestações do carro, fatura do cartão de crédito, etc.

Pensar em termos de cada ano é típico das pessoas ricas. Isso mostra que elas estão começando a aprender sobre responsabilidade fiscal, finanças e investimentos.

O pensamento que se concentra em décadas é o que distingue os milionários, revelando a existência de planos de negócios a longo prazo. É nesse patamar que as pessoas aprendem meios legais de evitar o pagamento de tributos para que seu dinheiro continue a trabalhar para elas. Nessa faixa, ficam sabendo como legar seus bens para gerações futuras sem que o governo tome parte daquilo que se dedicaram a construir ao longo da vida.


Expanda seu pensamento para alcançar o futuro

Quanto mais você conseguir estender seu pensamento até o futuro, mais rico conseguirá ser. A maioria dos multimilionários faz planos de negócios cuja duração é de pelo menos 10 anos.

Quando resolvi pensar em termos anuais pela primeira vez, minha renda começou a aumentar. Eu me fazia perguntas do tipo: “O que posso fazer para dobrar meu faturamento este ano?”, “Que meios posso usar para pagar menos impostos este ano sem desrespeitar a lei?”. Como já tinha visto esse princípio do pensamento a longo prazo na vida dos meus orientadores financeiros, isso me desafiou a observar com mais cuidado meu futuro. Agora tenho planos de negócios com duração de 20 anos. Dedico regularmente parte do meu tempo a pensar sobre o que quero que minha vida seja daqui a 5, 10 e 20 anos. Depois crio planos para atingir esses objetivos.

Como você quer que sua vida seja daqui a 10 anos?

Reflita sobre isso e comece a planejar. Pensar a longo prazo requer paciência – e esta é um ativo na vida dos bem sucedidos, enquanto a impaciência é um passivo na vida do homem comum.

As pessoas da classe média desejam satisfação imediata. Eu mesmo fui assim durante anos. Sempre que queria algo, comprava com o cartão de crédito ou economizava um pouquinho e pagava com o valor que tinha conseguido poupar. Agora espero antes de adquirir alguma coisa, pois meu objetivo é ter mais liberdade, e não conforto.

Quem é rico ou bem sucedido desenvolveu a disciplina de adiar o sentimento de satisfação. Os bem sucedidos fazem hoje o que os outros não fazem para que amanhã tenham o que os outros não têm. Quem cultiva uma mentalidade dos muito pobres, das pobres ou classe média jamais será livre. Conquistar cada vez mais liberdade é o objetivo dos indivíduos ricos e dos milionários. Eles adoram ter o controle da própria vida.

Pessoas mal sucedidas, as pobres e as da classe média põem o controle de sua vida nas mãos dos outros – que, ironicamente, são os ricos e os bem sucedidos.

Os bem sucedidos dão mais valor à liberdade do que ao conforto, e por esse motivo conseguem as duas coisas.

Como a classe média prefere o conforto à liberdade, ela jamais se liberta.

Pense a longo prazo em todas as áreas de sua vida

O princípio de pensar a longo prazo não se aplica apenas às finanças, mas a todas as áreas da vida. É importante, por exemplo, adotar esse comportamento quando se trata dos relacionamentos. Agindo dessa maneira, demonstramos mais respeito pelos outros e nos orientamos por uma perspectiva em que todos ganham.

Se você pensar a curto prazo na área dos relacionamentos, estará buscando aquilo que os outros podem fazer por você e acabará usando as pessoa como um meio para determinado fim. Caso você seja alguém que sempre se vale dos outros em benefício próprio, existe a chance de que venha a ser um solitário, principalmente no fim da vida.

Os bem sucedidos desenvolvem relacionamentos de longo prazo, o que também os ajuda a obter um sucesso financeiro duradouro. Eles pensam em como podem servir melhor a família, os amigos e os clientes.

Quando chegamos ao fim da vida, são os relacionamentos que criamos que fazem de nós pessoas ricas de verdade. Pergunte a si mesmo, com freqüência, como criar vínculos mais fortes e produtos com quem você ama.

Assim como existem pessoas que são muito pobres financeiramente, há também aquelas que são paupérrimas em termos emocionais. Esses são os indivíduos que não conseguem amar, os que são incapazes de ser pacientes e gentis, os que nunca perdoam e os que se enraivecem com facilidade. Concentre-se em se tornar bem-sucedido também no que diz respeito às suas emoções.

Ser rico nos relacionamentos é mais do que ter sucesso. É ter uma vida com sentido. É realizar-se.

O êxito financeiro sem a satisfação nos relacionamentos não é recompensador. Pense a longo prazo na sua vida financeira e na sua vida emocional.


É importante pensar a longo prazo em sua saúde física. Se fizer isso, você reservará um tempo para exercitar o corpo e se alimentará de maneira mais saudável. Caso contrário, vai negligenciar a atividade física e comer muita bobagem. É possível que você fique acima do peso e viva sem energia. Pensar a longo prazo na sua saúde lhe dará forças e disposição para conquistar mais sucesso financeiro.

Todas as áreas da vida estão conectadas, por isso pensar a longo prazo em cada uma delas melhorará todo o conjunto.

É necessário também pensar a longo prazo na sua vida mental. Você gostaria de viver pensando em quê? Existe algum assunto específico que lhe interesse? A que você gosta de dedicar a energia da sua mente?

As pessoas que vivem pensando nas coisas que as estimulam e despertam sua inspiração estão sempre numa incrível paz de espírito. Quem reclama e gasta energia mental com assuntos de que não gosta pode ser considerado pobre em termos mentais.

Esse tipo de pessoa viva com muito estresse. Você gostaria de aumentar sua paz de espírito? Em caso afirmativo, comece a pesar a longo prazo na vida mental. Direcione energia para os assuntos que você aprecia. Dedique-se aos campos de interesse que o inspiram. Encontre um meio de ganhar dinheiro nas áreas em que você gosta de pensar.

Este é o segredo de muitos homens bem sucedidos: eles enriquecem fazendo aquilo de que mais gostam. Isso os torna ricos em termos mentais e financeiros. Pense a longo prazo em todas as áreas da vida, não apenas quando se trata de dinheiro.

Estabeleça mais metas a longo prazo

Para crescer financeiramente, comece a planejar sua vida. Estabeleça metas a longo prazo. As pessoas superestimam aquilo que conseguem fazer em um ano e subestimam o que são capazes de fazer em uma década.
Quando fixamos metas a longo prazo, descobrimos que é mais fácil ter perseverança. Todos os homens de finanças bem definidas tiveram que persistir e enfrentar desafios. Para que seus sonhos se realizam, você deve se tornar aquele tipo de indivíduo que se dispõe a fazer o que for necessário. As pessoas da classe média desistem diante da pressão. Como valorizam o conforto, não seguem em frente quando a situação fica difícil. Os bem sucedidos se esforçam para caminhar mais alguns quilômetros. Eles fazem o que for preciso para ter abundância. Por planejarem o futuro, mantenha-se nessa trilha até obterem riqueza e liberdade.

Enfim: bem sucedidos pensam a longo prazo. A classe média pensa a curto prazo.


Ricos falam sobre idéias.
A classe média fala sobre coisas e pessoas.

Se eu passar alguns minutos ouvindo você falar, saberei dizer qual é sua direção na vida. Nossas palavras revelam o que se passa no nosso coração e na nossa mente. Elas são uma imagem exata de nosso futuro.

Sobre o que você fala o tempo todo? Suas palavras são como o leme de um barco. Elas determinaram sua direção na vida. Os bem sucedidos conversam muito sobre idéias e bem pouco sobre coisas e outras pessoas. A classe média raramente dialoga a respeito de idéias, pois seus temas preferidos são coisas e outras pessoas.

Grande, médio, pequeno

Certa vez vi uma placa no escritório de um executivo que dizia: “As grandes pessoas falam sobre idéias, as médias falam sobre coisas e as pequenas falam sobre outras pessoas.”

Qual é o assunto mais comum nas suas conversas? Idéias, coisas ou pessoas?

Estou certo de que você já ouviu o velho ditado: “Existem três tipos de pessoas - as que fazem as coisas acontecerem, as que observam as coisas acontecendo e as que dizem o que aconteceu.”

Um exame mais profundo dessas duas afirmações revela um segredo das pessoas altamente bem-sucedidas. Muitos milionários são criativos. Eles passam o tempo pensando em novas idéias. Quando trabalham em projetos, dedicam-se a considerar opções e procuram as diversas possibilidades.

Para ter mais sucesso, você deve expandir seu pensamento sem parar. Num mundo em que tudo muda rápido, é interessante reservar tempo para pensar em novas maneiras de fazer as coisas.

Os bem-sucedidos falam sobre idéias e fazem as coisas acontecerem. A classe média fala sobre coisas e as observa enquanto acontecem. Os muito pobres falam sobre outras pessoas e perguntam: “o que aconteceu?”

As pessoas da classe média conversam sobre coisas que tiveram origem na idéia de um milionário. Elas abordam assuntos como carros, esportes, entretenimento, música e férias.

Os bem-sucedidos são os donos das empresas de carros e dos clubes esportivos. São eles que produzem filmes, shows de TV e música, além de serem os proprietários dos locais onde as pessoas passam as férias. A classe média gasta seu dinheiro em coisas que foram criadas por pessoas extremamente ricas.

Vamos analisar o entretenimento mais a fundo. As pessoas da classe média e as muito pobres costumam ser grandes fãs de artistas de televisão. Elas gostam de fofoca. Mal conseguem esperar para ver quem fez o quê. Ficam grudadas na TV.

O entretenimento tem sua importância, porém deve ser algo equilibrado. Sem dúvida, os milionários também apreciam esse tipo de diversão, mas não passam muito tempo falando sobre ele. Um dos motivos que fazem co que as pessoas da classe média a as pobres adorem esse universo é o fato de elas se deixarem impressionar pela fama e pela fortuna. Milionários preferem a riqueza à notoriedade. Eles não se deixam levar pelo estilo de vida superficial das chamadas celebridades.

As pessoas que se deixam impressionar facilmente por outras costumam ser inseguras e não sabem com clareza o que desejam da vida. Os bem-sucedidos sentem-se seguros sobre quem são e sobre o que querem. Quando sabemos com certeza quem somos e quais são nossos objetivos, conquistamos segurança e sucesso.

Falar sobre pessoas

Em muitos casos, as pessoas pobres e as de classe meia têm pouco dinheiro porque sõ pobres emocionalmente. Ninguém se torna rico sem formar bons relacionamentos. Se passarmos boa parte do tempo denegrindo os outros, pagaremos por isso em termos financeiros e emocionais. Fala mal das pessoas pelas costas é uma ignorância, um sinal de imaturidade.

Os bem-sucedidos respeitam as pessoas. Dão a elas o benefício da dúvida e compreendem que estão fazendo o melhor que podem.

Sempre conseguimos encontrar algo que não aprovamos ou de que não gostamos entre as coisas que alguém faz. Sugiro que você tente identificar aqu9ilo que as pessoas realizam corretamente e as parabenize por isso.

Os ricos elogiam. Eles compreendem o valor que existe em fazer com que todos se sintam importantes. A maledicência é uma grande tolice, porque revela um comportamento nocivo e muitas vezes nos atrela a ele. Não caia na armadilha de fazer críticas negativas a outras pessoas. Isso pode prejudicá-lo, mais até do que você imagina.

Pare de falar mal e passe a elogiar. Você se sentirá melhor e as portas da oportunidade começarão a se abrir.

As pessoas adoram ser elogiadas. Aprenda a enaltecê-las, e você descobrirá que elas farão o que for possível ajudá-lo.

Os ricos falam de coisas e outras pessoas, mas não do mesmo jeito que a classe média. Eles conversam sobre quem cria riqueza com suas idéias e discutem aquilo que podem aprender com esses indivíduos.

Quem escolhe o sucesso faz anotações e partilha a informação em seu grupo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Números



Cresci ouvindo de algumas pessoa que “o homem é o que ele tem no bolso”. De outras, ouvia que “riqueza não traz felicidade”. Normalmente os que achavam que ricos não eram felizes eram exatamente os que não tinham nada no bolso além da própria identidade.

Não é questão de materialismo, ou capitalismo. É questão de recursos.

...

E para entender os números, é interessante ter em mãos algumas referências. Pegue seu contracheque. Fucei algumas gavetas e encontrei uma boa quantidade. No meu caso, o mais antigo era de OUTUBRO de 1993. Naquele tempo um soldado recebia cerca de $ 6.765,00. O número era esse. A questão era a cifra. O quanto representava naquela época esse número. Cifra, ou Cifrão, é o símbolo “$”. Um “s” maiúsculo, cruzado duas vezes de cima para baixo. Pesquisando no Wikipédia, você vai encontrar que cifrão é o seguinte:





“O cifrão, cujo símbolo é , é o marcador de moeda de alguns países da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname e Uruguai. O símbolo está fortemente associado ao contexto monetário/financeiro.





Com o passar dos anos as moedas começaram a ter uma representação gráfica, geralmente constituída por duas partes: uma sigla de designação abreviada para o padrão monetário, que varia de país para país, e o cifrão, símbolo universal do dinheiro e que se origina etimologicamente do árabe cifr, que em português também originou cifra.





O general Táriq-ibn-Ziyád, o Conquistador, em nome dos Califas Omíadas comandou a invasão do reino Visigodo no ano 711 da era cristã. Existem duas versões quanto ao caminho percorrido pelo general árabe. A primeira, em que teria Táriq partindo de Tânger, cidade de Marrocos, e da qual era governador. A Segunda, em que, para alcançar a Europa, teria Tárique partido da Arábia e passado, sucessivamente, pelo Egito, desertos do Saara e da Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos; cruzando o estreito das Colunas de Hércules e chegado, por fim, à Península Ibérica. Táriq teria mandado gravar, em moedas comemorativas do feito, uma linha sinuosa, em forma de "S", representando o longo e tortuoso caminho percorrido para alcançar o continente europeu. Cortando essa linha sinuosa mandou colocar, no sentido vertical, duas colunas paralelas, representando as Colunas de Hércules, significando a força, poder e a perseverança da empreitada. O símbolo, assim gravado nas moedas, se difundiu e passou a ser reconhecido com o passar dos anos, em todo o mundo, como cifrão, representação gráfica do dinheiro.”





Além da definição da internet, nunca esqueci que as professoras de primeiro grau sempre mandavam cortar o “S” com dois traços, nunca com um. Diziam que a gente não pode ter preguiça de cortar duas vezes – é um esforço mínimo em relação ao esforço de invadir um reino, andar desertos imprimindo dinheiro com o metal dos outros. Metal pilhado.





“$”, “₢” ou “₴” – o que fosse – vinha ainda acompanhado por outra letra.





O Cruzeiro (₢$) foi a moeda do Brasil de 1942 a 1967, de 1970 a 1986 e de 1990 a 1993. Sua adoção se deu pela primeira vez em 1942, durante o Estado Novo, na primeira mudança de padrão monetário no país, com o propósito de uniformizar o dinheiro em circulação. Um cruzeiro equivalia a mil réis. O Cruzeiro passou por uma reforma monetária no governo Castelo Branco, sendo temporariamente substituído pelo Cruzeiro Novo. A moeda voltou a ser substituída pela equipe do presidente José Sarney, com o Plano Cruzado; o Cruzeiro voltou a vigorar no governo Collor e foi definitivamente substituído pelo Cruzeiro Real em 1993.





As primeiras cédulas deste padrão foram cédulas de 50.000, 100.000 e 500.000 cruzeiros nas quais foi aposto um carimbo com o novo padrão. Daí criaram cédulas de Cruzado Real, em valores de CR$ 50,[1] 100,[1] 500,[1] 1000, 5000 e 50.000.





Em substituição as cédulas mais antigas do padrão anterior, foram lançadas inicialmente as moedas de 5 e 10 cruzeiros reais, sendo que mais adiante foram lançadas também as moedas de 50 e 100 cruzeiros reais.





Uma curiosidade destas moedas é que a expressão "cruzeiros reais" não aparece na moeda, sendo que ela foi substituída pelo símbolo CR$ e nas quais aparecem no reverso animais ameaçados de extinção.





Em 1994, todo o numerário das cédulas e moedas desse padrão, bem como as cédulas remanescentes dos padrões anteriores foram recolhidas na troca pelas novas cédulas do padrão Real, perdendo o seu valor a partir de agosto deste mesmo ano.




Ou seja:





Pode-se ter uma idéia da hiperinflação brasileira ao converter o real (atual) para o real da época do Império: 1 real atual seria equivalente a 2750 (conversão para cruzeiro real) x 1000 (conversão para cruzeiro) x 1 (conversão para cruzado novo) x 1000 (conversão para cruzado) x 1000 (conversão para cruzeiro novo) x 1000 (conversão para cruzeiro) x 1000 (conversão para real) = 2.750.000.000.000.000.000 (dois quintilhões e 750 quatrilhões) de réis ou 2.750.000.000.000:000$000 (dois trilhões e 750 bilhões de contos de réis).





Tá vendo a merda que é trabalhar com números grandes? Por isso inventaram o Real.
Para conter o processo de inflação – o ato de remarcar para cima os preços dos produtos a serem negociados, fixaram em números menores o que você pode comprar. Isso estabilizou a remarcação constante de preços.




• Vintém - 20 réis
• Tostão - 80 réis - período Colonial e Imperial
• Tostão - 100 réis - Moeda em cuproníquel emitida entre 1917 a 1932
• Pataca - 320 réis
• Cruzado - 400 / 480 réis
• Patacão - 960 réis
• Dobra - 12.800 réis (12$800)
• Dobrão - 20.000 réis (20$000)"

Só me lembro que no final do mês, em 94, eu ganhava em real e não sobrava uma pataca.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Instrução Bacellar

"Se queres prever o futuro, estuda o passado." (Confúcio)

Bacellar, INSTRUÇÃO!!!

Se você quer continuar a ser militar, é fácil. É só considerar algumas características de nossa estruturação. Os regulamentos resumem no seguinte:

O segunda-classe fica mais ou menos quatro anos.
O primeira-classe fica no máximo 6 anos.
O cabo estabilizava, e dizem que não adquire mais estabilidade.
O resto é estabilizável.

Quando fui S2, tudo o que tive de fazer foi passar o mais rápido possível para o nível seguinte. Fugi da baixa. Tive de desenvolver a disciplina de estudar duas horas por dia ou mais para cada concurso. Você estuda melhor se estudar em casa.

A maior parte de meus colegas saía para o frevo. “Pra ‘Night’”, como dizíamos. Eu não podia: minha namorada tinha acabado de engravidar. Quando soube, fiquei mais concentrado em manter os poucos recursos que são essenciais: hospital, remuneração, dentista... o que a caserna tinha a oferecer naquela época.

Enquanto estudava, imaginava o que seria trabalhar em outros lugares da... empresa! Vamos chamar a nossa Força de empresa.

A empresa só não oferecia clube pra gente, o resto era relativamente acessível.

Pra ficar na empresa meu pai costumava pagar os cursinhos preparatórios, principalmente de português e matemática. Isso ajudou bastante. Sou consciente da sorte de ter sido patrocinado pelo meu pai. Ele pagava sem reclamar.

Daí, com a namorada grávida, estudei e me tornei primeira-classe. No primeiro concurso aberto pela Aeronáutica para Soldado Especializado. Fui o primeiro soldado especializado em Comunicações de Brasília.
Só que como soldado não conseguiria a estabilidade. Abriram vagas para cabo, inclusive Comunicações. Só tinha eu de concorrente (somente soldados especializados podiam fazer para cabo, a partir desse concurso). A vaga era para o Ministério da Aeronáutica. Estação ZWT-26 (TRABALHO PRA CARA...*). Imaginei o ambiente: um monte de pica-grossa mau-humorado, tapinhas nas costas e muito cafezinho.

Deixei a vaga pra lá.

Fiz o outro. Mas aí já eram dois concorrentes. Eu trabalhando no Cindacta e o outro na Base Aérea. A gente se encontrou antes das provas e o cara dava a entender que estava realmente interessado na vaga. Me disseram que ele estava cursando na época o preparatório Santos Dumont – em Taguatinga.

Acho que ninguém tinha dito a ele que eu já tinha feito esse curso. Duas vezes.

Decidi estudar em casa. Enquanto o oponente gastava tempo e dinheiro se deslocando ao cursinho, eu aproveitava o tempo em casa. Sabendo que muito o que é ensinado no cursinho eu já sabia, passei a me concentrar nas matérias que precisava aprender.

Foi o suficiente. Em matemática, nossas notas foram relativamente próximas. Mas em Português e Conhecimentos Específicos da Especialidade ele deve ter se enrolado. Passei para a única vaga. Na própria Unidade que servia.

O bizu é esse: suplante seu concorrente estudando mais ao longo do tempo que ele. Tenho certeza de que a rotina de meu oponente, à época, era muito mais estafante.

Para sargento a estratégia não foi diferente, a não ser ter que estudar uns 6 meses a mais do que precisei para cabo. Mas foi um repeteco.

Às vezes me vem à memória porque decidi permanecer na Fab, e não partir para algum concurso que me desse mais vantagem financeira.

Conhecimento.

Mas é um poder diferente do que os civis entendem. Não tem a ver com dinheiro, não tem a ver com status. Tem a ver com saber o que fazer quando os outros estiverem realmente enrolados.

Militar tem o poder de desenvolver tudo o que está à sua volta, quando quer. Onde tem um destacamento da Amazônia muitas vezes tem uma cidade inteira se desenvolvendo.

Observe o lugar à sua volta. Criaram uma cidade inteira onde só havia alguns militares trabalhando.

A dica nº1 é essa: crie tempo para estudar. Produza com eficiência suficiente para poder cumprir a missão dependendo o mínimo dos outros. Tenha suas próprias ferramentas automotivas, escolares e use todo seu conhecimento para fazê-lo.

A dica nº2 é posicionamento. Antes de iniciar qualquer atividade, você precisa saber exatamente como está. Precisa saber se seu conhecimento de matemática ou português são capazes de suplantar ou fazer face qualquer concorrente.

A dica nº3 é montar um bom grupo. Procure colegas que não queiram ou não possam fazer cursinho.

A dica nº5 é manter a motivação. Você precisa manter seu cérebro com a convicção de lembrar assuntos de prova. O que te motiva a estudar normalmente é o que motiva todas as pessoas. Vontade de ter alguma autonomia.

Autonomia é abrangente: inclui algum dinheiro para levar a namorada para um lanche, pagar um ou outro motel ou abastecer o carro e pescar. Tanto faz. A maior parte das coisas podem ser resumidas em uma só:

Ter recursos para fazer o que se queira.

Quando eu era soldado morava na SQS 214. Era um saco: só tinha filho de milico. Eu era um deles. A maior parte de meus colegas de rua tinha como objetivo ter seu próprio canto. Pra comer gente, é claro. No nosso ponto de vista era desconfortável marcar uns amassos com a namorada para os dias em que a sogra fazia compras. Com a inflação comendo solta, nossos pais só faziam compras no dia 5 de cada mês. Tinham de enfiar a comida para um mês inteiro no fusca (e imagine que naquele tempo era difícil ter um bom fusca).

Isso significava uma gala por mês, camarada. Com sorte duas.

Então a maior parte dos colegas acabava por considerar que precisavam sair um pouco do centro da cidade. Ouviam histórias de colegas que pescavam, caçavam ou simplesmente andavam pelas estradas molhando a cabeça nos córregos do Goiás. Pra quem vive em apartamento, isso é uma liberdade imensa.

A solução passou a ser trabalhar para comprar um carro. Com um carro não tinha papo de motel. Era “banquéu-traseiréu-do-carréu” e ponto final.

Como dizia texto acima, filho de milico era uma desgraça. De “sub”, então – fudeu! Éramos umas pestes que sabíamos que nossos pais davam falta da chave do carro e davam esporro, mas pegávamos o carro assim mesmo. Era como se fazer merda fosse nossa única alternativa. Na década de 80 um carro custava tanto quanto hoje. A diferença é que não tinha essa conversa fácil de financiamento. A maior parte dos carros era paga “no coco”. No máximo em cheques.

O estacionamento da superquadra, projetada por Niemeyer, comportava um carro por família. Não era toda família que tinha um carro, e muitas vezes sobrava vagas. Reflexo da década de 70, na qual pouca gente podia adquirir um bom veículo, gente da minha geração tem verdadeira paixão por veículos. Principalmente motocicletas – que eram raras naquele tempo. Um tempo no qual não se exigiam capacetes, e as quedas faziam famílias inteiras condenarem as motos, não a falta de um equipamento tão básico.

Só para “massificar”: era difícil ter casa, carro e moto.

Casa para ter para onde levar a gatinha, carro para não pegar chuva e moto para conhecer os riachos e lugares de sua região. E só. Um milico se dava por feliz em atingir esses objetivos.

Se você quer uma boa motivação para estudar com mais afinco, pense no que quer ter. Imagine-se morando em um local que você conheça e goste, com uma “mina” bacana do lado (ou ao lado, tanto faz). Pense em que carro quer ter, que moto quer ter e quanto irá custar atingir esse objetivo. E procure pensar nos detalhes do que quer: hoje em dia têm coisas que antigamente não tinham e ajudam sobremaneira lidar com a rotina diária – TV a cabo, Playstation, equipamentos de som de ponta. Pense no custo do sonho completo não como um fator que leve a pensar que seja caro, mas algo que você consegue medir.

Na maior parte das vezes você vai perceber que não é tão caro assim. E que vale a pena.

Se o custo de um salário de R$ 5.000,00 for saber português, matemática e direito constitucional, está barato.

Resumo: estabeleça seu objetivo, calcule o esforço para atingi-lo e estabeleça sua própria rotina de estudo. O mais importante: mantenha em mente sempre seus objetivos.

Se o pessoal do frevo zoar, não deixe pensarem que você está dando exemplo.

Explique para eles porque você está estudando. Alguns certamente se unirão a você.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Trecho de "Lições da Caserna" - Jorge Motta

"Quem se situa nunca se perde. Nem se surpreende”

Aprendi que “antes de tudo é preciso situar-se”. Nunca vi essa máxima escrita, nem ensinada, apenas falada, mas sempre ouvi dizer que é a mais preciosa das sabedorias da vida carioca. Onde estamos, quem manda, qual é a regra do jogo, como se entra, como se sai. Estou convencido de que não há sabedoria mais objetiva do que se orientar na ida do que permanentemente indagar – Quem? Como? Onde? Por quê? – como ensinou o grego Aristóteles.

No meio do surpreendente alvoroço e da tremenda surpresa da nomeação de Elmo Farias Serejo para governador de Brasília, e da minha convocação para ser seu homem de confiança na administração do Distrito Federal, jamais deixei de me situar. A realidade brasileira naquele instante – em março de 1974 – exigia atenção especial. Estávamos no auge do regime militar, saindo do governo Médici. A descontração ou “distensão”, expressão preferida pelo cientista político americano Samuel Huntington, só aconteceria a partir de 1977, em meados do governo Geisel. Mesmo assim, condicionada. A abertura deveria ser “lenta, gradual e segura”, ditou o próprio presidente que podia ditar, como demonstraria para a História, decretando o fim do AI-5 e do próprio regime militar. Ou seja, usando os próprios poderes absolutistas que o AI-5 lhe outorgava, Geisel decretou o fim desses poderes.

Um gesto que o consagrou e ao período da vida brasileira que tive a honra de participar, modestamente, num cargo de segundo escalão.

Mas em março de 1974, não dava para esquecer a dureza política do momento. Muito menos adiantava fantasiar. Seria iludir-se. Os militares haviam tomado o poder, estavam gostando, não pareciam disposto a abandoná-lo e, principalmente, por mais que se cercassem de tecnocratas e especialistas, não conseguiam perder suas características profissionais de disciplina, hierarquia, planejamento rígido. Aliás, com exceção do general Golbery e de poucos oficiais entre os muitos que assumiram responsabilidades civis, e que eram políticos extraordinários (muitos deles tinham mais sensibilidade política que os próprios políticos civis profissionais), a regra era os militares se desnaturarem ao afastar-se da caserna para assumir funções no serviço público. Renegavam justamente sua cultura profissional. É um paradoxo, mas eu compreendo, por ter enfrentado na prática o mesmo desafio: o exercício do poder civil não é fácil, nem para os civis.

Ou seja: quando negaram sua cultura militar para se comportar como políticos e civis, abandonaram instrumentos de organização com os quais já estavam familiarizados e perderam boas chances de promover mudanças e moralizações que pretendiam realizar no Estado brasileiro.

Entre os chamados instrumentos administrativos empregados no Exército brasileiro, no dia-a-dia dos quartéis – e que aprendi a utilizar no meu serviço militar, o Quadro de Trabalho Semanal (QTS), pode ser o mais singelo, mas é certamente de uma eficácia extraordinária, além da facilidade de ser por todos entendido. Levei-o do quartel para a vida civil e apliquei-o com êxito na primeira oportunidade que tive de assumir responsabilidades executivas na empresa privada. Considero-o a melhor aprendizagem do meu serviço militar obrigatório.

Tornar-se soldado não era uma escolha, mas um obstáculo que precisava transpor. Também não me revoltei, não me lastimei; pelo contrario, mergulhei de cabeça para tirar da minha passagem pela vida militar tudo o que poderia aprender.

Fui soldado e cabo do Exército na Vila Militar, em Deodoro, Rio de Janeiro. Servi no Segundo Regimento de Infantaria (2º RI), o glorioso Dois de Ouro, seu festejado cognome.

Fiz o curso de sargento justamente quando o primeiro batalhão do 2º RI (um regimento de infantaria era formado por três batalhões) estava sendo preparado para ser enviado à África do Norte e participar da Missão de Paz da ONU no Egito. O Batalhão Suez – como era chamada a tropa brasileira – era constituído 100% por voluntários, mas a seleção incentivava os melhores recrutas. Fui chamado e estimulado, ganhava-se em dólar e todo mundo fazia um pé-de-meia, mas descartei a oferta. Eu estava na tropa para cumprir o dever de cidadania, tinha pressa em iniciar minha vida civil plena e precisava do Certificado de Reservista, documento essencial para cair no mercado de trabalho. Poderia ter cursado o CPOR, Centro Preparatório de Oficiais da Reserva – aberto para quem possuía diploma de curso médio – e sairia aspirante, com chances de estagiar na tropa como oficial por até dois anos, ou mais, como aconteceu com alguns amigos. Mas eu não estava procurando um passatempo, eu queria dar adeus à adolescência, à disponibilidade de solteiro, começar a viver de verdade minha vida adulta, casar. Ora, o CPOR durava dois anos, enquanto como soldado na tropa, seriam apenas 12 meses.

A vida na caserna, sem dúvida, é dura – como demonstrou o poeta Alfred de Vigny, em Servidão e Grandeza Militares, no século XIX – mas o tempo passa mais rápido quando o soldado a enfrenta com seriedade, principalmente consciente de que é um período finito. Não queria me profissionalizar, a caserna não era a minha vocação. Mas cumpri meu serviço militar com dedicação. Fiz os cursos regimentais, fui promovido a cabo e minha boa classificação no curso de sargento premiou-me: meu nome foi incluído na primeira lista de desligamentos da tropa. Como eu desejava.

Sempre recordo os critérios para liberar os recrutas, especialmente os desesperados, como eu, que não viam a hora de retornar à vida civil. Ou, mais precisamente, iniciá-la, pois estávamos todos com 19 anos, começando a maioridade. Os primeiros reservistas a serem liberados – dispensados na “primeira baixa” – são os melhores. Quem for “zerado” – isto é, não tiver punição nas suas “alterações”, tem prioridade no desligamento da tropa. Experimentei a vantagem de haver cumprido a minha parte e pude desfrutar o prêmio.

Aliás, como eram transparentes e estáveis as regras do quartel! Tudo era previsível, e até as punições levavam em consideração atenuantes e agravantes que todos conheciam. Por isso, nunca entendi por que o regime militar de 1964 não aplicou esse princípio sábio – as regras do jogo são sempre cumpridas, jamais alteradas por circunstâncias e interesses pessoais – quando assumiu responsabilidades do governo civil.

Quase todos os militares no poder preferiram desprezar suas ferramentas profissionais, como esse singelo QTS, que aprendi com eles. Ouso dizer que até na repressão política fazia falta a boa doutrina da caserna, que não confunde disciplina com violência, rudeza com grosseria, firmeza com insolência. Pelo menos foi o que me ensinaram e vi ser praticado como regra no 2º RI, na Vila Militar. Naturalmente, com as exceções que o confirmavam.

Tive a impressão, naqueles dias de submissão do poder civil, que os militares vivem uma duplicidade perigosa na relação com o civis. Ou endurecem, tentando submeter irracionalmente a sociedade aos padrões espartanos da sua disciplina profissional e aí gera um clima de guerra, incompatível com a vida em tempo de paz. Ou se perdem, negando sua própria cultura. O mundo civil trata os militares com uma arrogância histórica, principalmente quando pressente formas de submetê-los, como fizeram com o romano Caio Júlio César. Mais ou menos o que os chamados tecnocratas fizeram com os chefes militares brasileiros no regime de 64.

Aquela altura, dispensado do Exército, tinha aprendido e trouxe comigo a técnica e a prática de planejamento das atividades rotineiras do quartel, que com adaptações naturais, tornaram-se o meu sistema pessoal de administrar. Foi justamente do Quadro de Trabalho Semanal (QTS), ferramenta da caserna, de que me vali decisivamente na Casa Civil do Governo do Distrito Federal.

Trata-se de um dos mais simples instrumentos para evitar o entorpecimento das rotinas, sem deixar de realizá-las. Não foi difícil transportá-lo para o ambiente do Palácio do Buriti. A partir do elementar QTS, tudo funcionava. Horários conhecidos, tarefas determinadas, agenda administrada com rigor, não antecipava nem precipitava nada. Com isso, criou-se uma grande margem de tranqüilidade tanto para o governador exercitar seu programa de construções que complementavam Brasília, como para todos os seus colaboradores tocarem suas tarefas administrativas.

...

Nosso QTS no Palácio do Buriti era definido às segundas-feiras. Tudo era mapeado, inclusive com a participação do cerimonial, secretaria particular e segurança. Por isso, raramente éramos surpreendidos por eventos, mesmo sem termos sido notificados. Graças ao QTS, todo mundo no gabinete sabia o que fazer, quando e como.

Essa metodologia de organização racional do trabalho também me qualificou para tratar com os militares quando precisei lidar com eles do outro lado do balcão, logo depois de deixar o 2º RI e bem antes de chegar ao Governo do Distrito Federal.

Foi mera coincidência, no meu primeiro emprego depois que deixei o Exército, ter justamente de tratar com militares. A Visor Editora e Publicidade, de propriedade de Benedabi Hassi Rocha Martins, editava as revistas da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e da Escola de Cadetes da Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, no Rio, que ainda não havia se transferido para Pirassununga, em São Paulo. Eram publicações anuais, verdadeiros álbuns com os registros das turmas que se formavam naquelas instituições de ensino militar.

A Visor tinha uma espécie de concessão para produzir aquelas revistas. Cuidávamos de tudo, da publicidade à impressão. Os comandos das duas escolas designavam cadetes para tratar das edições. Eles definiam o que desejavam publicar. Nós providenciávamos a revisão, paginação, papel e impressão, inclusive os patrocínios que cobriam as despesas. Ainda estávamos no tempo das máquinas impressoras planas, dos clichês, a pré-história das gráficas modernas e eletrônicas. Fazer uma revista luxuosa, em papel cuchê, não era fácil nem barato.

Era uma revista por ano, tanto no Exército, como na Aeronáutica. Circulavam por ocasião das formaturas dos cadetes, mas exigia uma operação de 12 meses. Os comandos se empenhavam, ajudavam nos contatos com os anunciantes. Os estabelecimentos militares não tinham verbas próprias para custear as revistas, que eram pagas com anúncios e patrocínios.

A chamada Declaração de Oficiais – a formatura anual das academias militares daquele tempo – se constituía em acontecimento nacional, com a presença do presidente da República e as atenções da sociedade. As revistas funcionavam como uma das mais apreciadas lembranças dos cadetes declarados aspirantes-a-oficial, no dia da formatura, quando eram lançadas e distribuídas.

Fiz muitos amigos na área militar. Quando me casei, em 1961, o comando da Escola de Cadetes da Aeronáutica formou uma comissão de três cadetes, com seus belos uniformes, para representá-la. Eles faziam parte da turma do 2º ano. Em 2005, passados 44 anos, encontrei-me em Brasília com o Tenente-Brigadeiro Astor Nina de Carvalho Neto, então chefe do Estado Maior da Aeronáutica e eu chefe do gabinete do Ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Emocionei-me. O brigadeiro Astor, com suas quatro estrelas de oficial-general da Força Aérea, concluindo brilhante carreira na FAB, havia sido um dos cadetes que compareceram ao meu casamento.

* Jorge Motta tornou-se um dos mais competentes executivos do serviço público.

Srs. Soldados antigos do “Gama”.

Não gosto de dizer nada em forma. Alonga formaturas – e elas devem ser rápidas. Como milico, a única coisa que posso fazer por vocês é instruir. Instrução não precisa ser um saco, pode ser mais interessante do que um filme.

Tem que ser coisa que sirva para a vida toda. Pequenos hábitos que se pusermos em prática, sejamos melhores a cada ano. Parece loucura? Provavelmente.

Não custa nada compartilhar com vocês.

Uma das coisas que está pegando é energia. Vocês precisam manter em mente que o corpo de vocês é como uma máquina e também requer manutenção. A dieta do miojo – uma idéia que torna a vida de universitários “sobrevivível” – é prejudicial ao organismo.

O “mini-rancho” do destacamento fornece estrutura mais acessível que a cidade. E sai mais barato. Sugiro a adesão porque quanto mais gente participar, melhor pode ser o cardápio.

Sugiro também que quem não possa pagar o valor de 100,00 arbitrado ao funcionamento faça contato com a Dra. Sara(h). Cadastrar-se para o recebimento de uma cesta básica. Ao recebê-la, forneça ao rancho e considere-se “arraçoado”. A verba destinada às cestas básicas muitas vezes sobram por falta de informação dos próprios usuários. Em suma: ajudem a Dra. Sara a ajudar vocês!

Estimando vinte soldados, significa vinte cestas básicas direcionadas à energia que vocês precisam - inclusive para estudar.

Tem um detalhe: o sabor das refeições pode ser acompanhado pelos senhores mesmos! Na verdade, creio que qualquer um que se candidate a ajudar os cozinheiros será muito bem vindo.

O almoço do dia 12/04/2011 foi feito somente pelo Javier.

Javier tá com ponto positivo comigo. Trazer dispensa para assinar. Energia, senhores, administrem a energia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

MANUAL DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA O MOTORISTA - Tipo 1

Estilo Coloquial (direto e reto)

Saiu para a missão?

1. Engraxe o sapato ou o boot (7º ou 10º uniforme), faça um vinco na canícula para parecer um playboy: todo arrumado. Daí ninguém te enche o saco com regulamento.

2. Adquiram sprit de corp, ou seja: espírito de corpo. Tem quem diga que significa moral. Entenda moral como um sentimento de correição que fortalece o grupo. O que distingue militares de civis é a capacidade de priorizar as coisas rapidamente.Tratar o companheiro de serviço com certa atenção. Lembre-se: ele está no mesmo barco que você é com quem você poderá contar se o Brasil continuar uma merda.

Isso torna o grupo e para você mesmo. Busque confiança mútua, seja confiante em sua capacidade e na capacidade de seu grupo: desenvolvam suas capacidades. Ajam como um grupo. Nada de encher o saco do colega com brincadeiras exageradas. No quartel, você pode DESCANSAR DOS PROBLEMAS DE CASA!!!

3. Vê se não caga a porra da viatura. Não é porque é uma Land Rover, que você vai fazer um “Paris-Dakar” dentro do destacamento.

4. Tenta ajudar o pessoal da administração a concentrar todo o serviço a ser despachado com a sede rapidamente e sem esquecimento. Ajude-os a evitar ligar para que volte quando você já está no meio do caminho DE IDA. Sacanagem, porra!

5. Não chega em cima e nem depois da hora combinada com quem pediu a condução. Isso faz com que você precise correr e põe em risco pontos em sua carteira e pagamento de multa da condução. Chegue uns 10 minutos antes.

6. Abra a porta para os chefes quando estiverem cheios de malas ou não. Acreditem se quiser, ouvi falar de autoridade idosa que prendeu os dedos na porta de um opalão e passou meses sem poder assinar nem uma dispensa. Você não vai querer ficar sem dispensa, vai?

7. A regra é TODO MUNDO DE CINTO, inclusive no banco traseiro. Quando iniciar o serviço de Motorista-de-Dia trate de deixar todos os cintos disponíveis, e não caídos embaixo do banco. Padronize: ligue o rádio na Força Aérea FM (91,1Fm).

8. Ande abaixo do máximo. Nada de aproveitar o atraso dos outros para “chinelar” as conduções. Tá chovendo, compadre, ande devagar. Repare que você dificilmente vai ver um motorista de ministério “cabeça branca” espremendo o acelerador de um ônibus ou apertando o carro da frente com um veículo oficial. Não precisamos ser mal-educados como policiais de rua em perseguição...

9. Chegou no evento de destino? Procure um local onde ninguém acerte a condução, tranque e mantenha as chaves no bolso.

10. Passageiro saiu do carro? Vê se não esqueceu nada.

11. Avise para quem despachar a missão que ela foi concluída.

12. Nada de “zerinhos”, derrapadas e cantadas de pneu. Não corra com a condução, não queime embreagem à toa para não se acostumar a transportar pessoas como sacos de batata. O passageiro tem direito a se sentir seguro nas mãos de um motorista militar. Não dê chance para o inimigo trazer perícia.

MANUAL DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA O MOTORISTA - Tipo 2

Estilo Formal

Em missão:

1. Mantenha apresentação pessoal e estar adequadamente uniformizado para a missão (7º ou 10º uniforme).

2. Busque manter o bom humor e disposição para o trabalho, pois gera bem estar para os usuários e para você mesmo. Transmita confiança.

3. Conserve o veículo limpo e apto para realizar o trabalho.

4. Confirme o trabalho a realizar com todas as informações necessárias sobre o trajeto e local de saída e chegada.

5. Esteja no local designado para a saída com 10 minutos de antecedência contatando em sua chegada o usuário da viagem.

6. Na recepção ao usuário, facilite para o usuário o acesso ao interior do veículo.

7. Observe o uso do cinto de segurança dos ocupantes do veículo, inclusive no banco traseiro, proceder a operação do ar condicionado, musica ambiente adequada, etc.

8. Em viagens mantenha velocidade 5% menor que a permitida nas vias. Em pistas
úmidas ou com chuva excessiva, reduzir a velocidade 20%. Nas rodovias, viajar sempre de modo seguro, mantendo distância dos veículos a sua frente e manter a velocidade 10% menor que a máxima permitida.

9. Ao chegar ao destino estacione o veículo em local permitido e seguro, retire chaves do contato ao desligar o veículo e, conforme evento ou solenidade, abra a porta para o usuário e auxiliá-lo caso tenha alguma bagagem.

10. Verifique o veículo constatando se o passageiro não deixou nada dentro do mesmo.

11. Após deixar o passageiro no seu destino, informe ao Sgt-de-Dia a finalização do trabalho ao retornar para o destacamento.

12. Proporcione viagem segura, pontual e confortável, tornando o trajeto plenamente satisfatório, confiável e sem desgaste. Habitue-se a dirigir com cautela.